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| José Passini |
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Análise de Livros atribuídos ao Dr. Inácio Ferreira
Resumos de análises de livros atribuídos ao Dr. Inácio Ferreira
O
objetivo deste trabalho é apenas chamar a atenção dos dirigentes de centros,
livrarias e clubes do livro espírita quanto à responsabilidade que assumem ao
divulgarem informações tão distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com
a nobreza, a dignidade e a seriedade da Doutrina Espírita.
A
Escada de Jacó
“Acordando
mal-humorado, respondi ao cumprimento de Manoel Roberto com um simples muxoxo e
fui direto para o meu gabinete.” (30)
Seria
possível um diretor de hospital do Mundo Espiritual, acordar mal-humorado?
“—
Para aparecer alguém e colocar tudo a perder, não é, Modesta? Eu não sei o que
o Odilon tem a dizer, mas, no que me compete, eu o mandaria às favas... O
Espiritismo não tem dono e a mediunidade também não! Se, na condição de
espírita, eu tivesse que prestar obediência a alguém, eu não seria espírita!
Vocês me conhecem, e neste ponto, sou radical.” (94)
Bravatas
e grosserias comuns nas manifestações desse Espírito.
“—
Doutor, não me deixe morrer! O que houve com os meus braços, que não consigo
senti-los? Onde estão o meu pai e a minha mãe, a minha avó e os meus primos?
Está doendo muito, Doutor!...” (186)
Conversando
com um menino árabe, atingido por explosão que lhe arrancara os dois braços.
Não explicou se estava materializado, ou se o menino era médium vidente, e como
falara árabe.
“A
uns duzentos metros do local, um camelo atingido por tiros de metralhadora
agonizava e observei que, de sua boca e narinas, escorria uma substância
esbranquiçada.
— O “plasma”
daquele pobre animal nos servirá. Teça com ele uma espécie de manta... Não
temos tempo a perder!” (186)
Afirma
ter estancado a hemorragia com ectoplasma de um camelo agonizante. Por que,
então, os Espíritos não buscam, para socorro a encarnados, essa substância
abundante em matadouros?
“Não
tivemos que esperar muito. Curtindo tremenda ressaca, o casal se despiu dos
trajes mais íntimos e, com certeza, o resto os nossos irmãos nos dispensarão de
relatar. Digo-lhes somente que fiquei sem entender quando, após terem atingido
o orgasmo, Flávio foi praticamente sugado dos meus braços e, como se o
perispírito ainda mais se lhe restringisse, atravessando a barreira das dimensões
diferentes, encolheu-se feito um filhote de pássaro no ninho.” (282)
Descrição
grosseira da invasão na intimidade de um casal, contrariando o que André Luiz
relata em “Missionários da Luz”, cap. 12, quando fala do respeito que os
Espíritos têm pela intimidade do casal, e que a ligação do reencarnante à forma
física se dá horas depois do ato sexual. No livro “O Pensamento Vivo do Dr.
Inácio”, ele próprio se desmente, citando Chico Xavier: “O processo é mais
lento, tratando-se de reencarnação compulsória, nessa categoria de espírito.
Leva mais de ano para completar o restringimento” (121)
A
Vida Viaja na Luz
– No
outro dia, bem cedo, na companhia de Modesta e Manoel Roberto, fui ver, nas
imediações do Hospital, uma chácara que conseguíramos em regime de comodato,
para a realização de velho sonho. (25)
Aluguel
de terreno no Mundo Espiritual?
– O
Hospital dos médiuns será a instituição mantenedora da Sociedade Protetora dos
Animais “Francisco de Assis”!
–
Uma Sociedade Protetora dos Animais no Além! (27)
– O
Hospital dos Médiuns, do ponto de vista jurídico, responderá pela Sociedade “Francisco
de Assis”. (30)
Tentativa
de desmerecer as revelações de André Luiz, levando as semelhanças da vida no
Mundo Espiritual com a da Terra a níveis inaceitáveis.
–
Ultimamente, muitos espíritas recém-desencarnados marcam consulta comigo. Não
que estejam propriamente doentes, mas desejam ajustar certas ideias em conflito
com a realidade da Vida, ante a qual se deparam na existência de Além-Túmulo. (184)
Não
só ele, mas também outros Espíritos buscam demonstrar que pouco valeram, para
os espíritas, as luzes do Espiritismo, pois chegam necessitando de “marcar
consulta” com um psiquiatra. Onde, na obra de André Luiz, vimos esse funcionamento
tão terreno de um consultório médico?
–
Você é espírita?
–
Sim, há mais de 40 anos...
–
Desencarnou, e daí?
–
Não aconteceu absolutamente nada. Estou na mesma
–
Não volitou?
–
Mal me arrastei e estou me arrastando...
–
Come e dorme?
– E
bebo água!
–
Faz sexo?
–
Faço!
–
Com o que?
–
Doutor, o senhor é louco!
–
Responda.
–
Com as coisas, ué!
–
Você é espírito vampiro?
–
Não, eu sou normal.
–
Então, você faz sexo é com desencarnado?
– É!
Pensou o quê? Eu não sou íncubo...
–
Tem orgasmo?...
Bem,
desculpem-me, mas o restante da entrevista é proibido para menores e não quero
poluir a cabeça desse nosso pessoal beato, que considera pecado ter orgasmo num
só lado da Vida, quanto mais nos Dois! (190/191)
P.S:
No que se refere à coragem do testemunho e verdadeiro amor à Causa, não posso
deixar de reconhecer que, por seus ovários, muitas mulheres possuem mais “bolas”
do que muitos homens! (271)
Julgo
desnecessário qualquer comentário do texto acima, pois parece retirado de uma
revista humorística de baixo nível.
Chico
Xavier Responde
— Mas
você não era Allan Kardec reencarnado?
— E
quem vocês pensam que era Allan Kardec? (9)
Além
de colocar lenha nessa fogueira infeliz alimentada por espíritas novidadeiros,
procura, ao mesmo tempo, rebaixar o conceito que temos do Codificador.
— O que
teria a dizer aos que afirmam que André Luiz fez literatura de ficção?
—
Que a ficção sempre se antecipa à realidade. (28)
Tentativa
de diminuir o valor da obra de André Luiz.
— E quem
foi Hippolyte-Léon Denizard Rivail?
—
Alguém que, não fossem os Espíritos, teria vivido no mais completo anonimato;
um homem comum, como tantos outros que vivem esquecidos dos homens... (45)
Nova
tentativa de reduzir a figura do renomado educador francês de quem a
Espiritualidade Superior se valeu para trazer-nos o Espiritismo. Para se
inteirar-se de quem foi o Professor Hippolyte-Léon Denizard Rivail só consultar
as obras de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen e de Dora Incontri.
— Faltava
um pouco de Chico a Kardec ou de Kardec a Chico?
—
Creio que de Chico a Kardec. (47/48)
Mais
uma tentativa de diminuir a figura do Codificador, dizendo, talvez, que lhe
faltasse a humildade e a doçura de Chico.
— Como
médium, Chico, na recepção das mensagens ditas particulares, você necessitava
de um contato prévio com os familiares encarnados do espírito comunicante?
—Ainda
que fosse mínimo.
— Com
qual objetivo?
— De
estabelecer sintonia, facilitando o mecanismo que se coloca em funcionamento no
diálogo que se estabelece entre encarnados e desencarnados. (70/71)
Aqui,
esse Espírito fascinador entra no terreno da mentira, da calúnia. Qualquer
pessoa que tenha conhecido o Chico tem consciência da falsidade dessa
afirmação. O médium desse Espírito fascinador é que usa dessa prática, conforme
declarou na imprensa.
— Você é
contra ou a favor do abortamento, em casos em que o feto esteja se
desenvolvendo sem cérebro?
—
Creio que o assunto seja pertinente ao livre arbítrio dos genitores,
especialmente ao da mãe, mas, qual o significado se levar a termo uma gestação
que, com os modernos recursos da Medicina, já se sabe de antemão comprometida do
ponto de vista genético? Não seria penalizar, desnecessariamente, os
familiares?
— Em caso
de estupro, é lícito o abortamento?
— Em
casos de estupro, a única vontade que deve prevalecer e ser respeitada é a da
mulher que foi vítima de semelhante agressão. (140)
Um
posicionamento contrários à Doutrina Espírita.
Estudando
Nosso Lar
...
vasculhando papéis sobre a mesa, me deparei com a carta que uma irmã me
endereçara da Terra.
– Dr. Inácio, – escrevera ela –, fico encantado (sic) com o seu
amor aos animais... (95)
Esse Espírito fascinador subestima tanto a capacidade de análise
do leitor, que não explica como uma carta de um encarnado chega ao Mundo
Espiritual e é colocada sobre sua mesa. E ele a responde!...
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
Novamente, defende a tese da reencarnação no Mundo Espiritual
(Reencarnação sem carne!)
– Isso é uma aula de botânica! Brincou Domingas.
– Muitos dirão que é pornografia... Uma banana para eles, de
preferência verde! (256)
– Pronto! Agora está me puxando o saco... E o pior, não, o melhor
é que espírito também tem isso...
(264)
Livros como este não necessitam de exame doutrinário. É só o
leitor lembrar-se de que um Espírito que tenha um mínimo de refinamento jamais
usaria expressões como essas. Será que quem se expressa dessa forma conviveria
no Mundo Espiritual com Eurípedes, Bezerra, Emmanuel, André Luiz, conforme
declara em seus livros?
Fala,
Dr. Inácio!
– Só
para determinado jornal, eu respondi a três entrevistas que não foram
publicadas...
– Eu
sei, mas também quem manda você não contemporizar? Faça política... È o que
esse pessoal quer: ser bajulado!
Diga
que eles foram personalidades ilustres em vidas anteriores, ligadas a Allan
Kardec, etc. Você não mente... Como é que quer fazer parte da “panela”, se não
entra nela? Corrompa-se, e você terá espaço. (71)
Seriam
conselhos como esse dados por um Espírito equilibrado? Onde, na legítima
literatura espírita viu-se algo semelhante?
– E
quando se trata de gravidez ocasionada por estupro?
–
Quando se trata de estupro, creio que se deve dar à mulher o direito de
decidir, e respeitá-lo, seja qual for. (128)
–
Mesmo que ela decida pelo aborto?
– A
sociedade não pode obrigá-la a arcar com as consequências de tal violência.
Ponhamo-nos no lugar da mulher aviltada em sua dignidade... A pretexto de ética
religiosa ou o que o valha, não podemos traçar regras de comportamento para os
outros. (128)
Não
se trata de uma “ética religiosa” discutível. Trata-se do que nos ensinam os
Espíritos Superiores, conforme “O Livro dos Espíritos” (item 358)
– A
mulher deve ter o direito de abortar o anencéfalo?
–
Creio que Deus, através dos progressos da Ciência, está nos dotando de meios a
fim de que tenhamos certas provas suavizadas. Sabemos que a dor é benéfica para
o espírito, no entanto, recorremos ao analgésico. (131)
Sim,
é lícito o uso do analgésico, mas para aliviar uma pretensa dor moral, seria
lícito o assassinato de um nascituro?
–
Então, a gravidez do anencéfalo deve ser interrompida?
– Se
os pais, e principalmente a mãe tomarem tal decisão, após a confirmação do
diagnóstico, cabe-nos, repito, acatá-la sem recriminações. (131)
Então
a Codificação está errada?
Fundação
Emmanuel
Confesso-lhes
que eu não conseguia tirar os olhos do ventre daquela menina que me passou a
inspirar enorme simpatia. (98)
—
Para quando será a criança, minha filha? – questionei.
—
Dentro de uma semana, completarei os cinco meses...
—
Faltam três, para oito...
—
Não, doutor, o nosso tempo de gestação é menor – se passar da data, não será
muito. (100)
Além
do absurdo de uma gestação no Mundo Espiritual, há até erro no número de meses
da gestação na Terra: são nove e não oito.
— É
verdade também o que o Resenha está dizendo?...
— A
menos que os jornais daqui também se equivoquem como os da Crosta costumam se
equivocar – respondi.
— “Aos
espíritas que me criticam...” – leu o rapaz, em voz alta.
— “...ofereço,
solenemente, uma banana!...” – não me esquivei de concluir, na alusão grotesca
ao gesto feito com a mão esquerda apoiar-se no braço direito, tendo o antebraço
voltado para cima com a mão fechada. (135)
Esse
Resenha é um jornal que circularia no Mundo Espiritual, relatando
fofocas da Terra.. Ao contrário do que se lê na obra Nosso Lar, cap. 23.
As
manifestações de grosseria do “Dr. Inácio” continuam...
—
Desembuche, Manoel, antes que eu continue dizendo e escrevendo o que não
devo...
—
Dr. Inácio – esclareceu –, quatro padres estão à sua espera...
— Quatro?!...
Um só já seria muito! Que desejam? Me converter?
—
Estão pedindo permissão para uma visita ao Hospital, alegando que receberam
graves denúncias. (186)
Agora
inventou padres fazendo inspeção num hospital...
—
Que aparelho é esse no braço dela?
(...)
— É,
então, um minicomputador...
—
Funciona como se fosse e é capaz de apontar, com precisão absoluta,
desequilíbrios de risco para o organismo.
—
Como, por exemplo, a iminência de um colapso cardíaco, alteração da pressão
sangüínea?
—
Taxas de glicose, oscilação de temperatura, presença de um microorganismo patogênico...
(226)
Aqui
explica que a jovem grávida correria risco “de morrer” durante o parto, lá no
Mundo Espiritual!
—
Meu caro Dr. Hernani – aparteou Odilon, aproveitando a deixa –, o senhor não
repare, se precisamos ir; temos ainda uma visita a ser feita hoje...
—
Que pena! – lamentou.
—
Voltaremos para uma nova sessão de piadas – enfatizei. — Tenho algumas para lhe
contar, mas só nós dois...
—
Picantes?
—
Piada espírita não tem graça, Hernani! (241)
Agora,
envolve Hernani Guimarães Andrade e Cairbar Schutel numa roda de piadas, como
se Espíritos desse nível fossem tão mundanos como ele...
Infinitas
Moradas
—
Estou olhando, Desidério – disse, fazendo o possível para não explodir. — Pode
falar... Estou com conjuntivite; cheguei há pouco da Terra e, como sempre,
havia muita fumaça lá embaixo... (...) (87)
Assim
que ele se retirou, fazendo um esforço imenso para me controlar, pedi ao jovem
enfermeiro que me chamasse, às pressas, o Manoel Roberto ao consultório. (90)
Essa,
uma entrevista com um pretenso paciente, desenvolvida ao longo de uma conversa
sem sentido, sem nenhum ensinamento, a não ser a revelação de que depois de
desenvolver uma conjuntivite, a partir de uma contaminação adquirida na Terra,
um psiquiatra do Mundo Espiritual, diretor de um hospital, quase se
descontrolou ao final de uma conversa vazia, que tomou cinco páginas de um
livro... Note-se ao absurdo que esse Espírito fascinador leva seus leitores: Um
Espírito desencarnado contaminar-se com doenças da Terra.
Do
Outro Lado do Espelho
“–
O espírita tem a mania de se julgar sempre com a verdade.” (16)
“— Nós, os considerados mortos, em matéria de mediunidade temos que nos
contentar com percentagem: 30% nossos, 70% do médium... Quando, pelo menos, são
50% para cada lado, vá lá... Raro o médium que nos permite o empate. Isso sem
falarmos nos médiuns que vivem colocando palavras inteiramente suas em nossos
lábios: é um tal de termos dito, sem termos dito nada... (...) Os médiuns hoje
querem improvisar... Quanta mistificação!...” (160)
Um
discurso específico visando ao descrédito da mediunidade. Descrédito que se
estenderia até à Codificação, que teria, no mínimo, 50% de contribuição dos
médiuns com os quais Kardec desenvolveu a Codificação.
Na
Próxima Dimensão
“(...)
grande hospital, cuja direção, no Mais Além, estava sob minha responsabilidade
(eu não sei quando é que vou me livrar desse carma!)” (12)
Todo
desencarnado equilibrado sente-se honrado em trabalhar no Mundo Espiritual.
Como pode um Espírito que se diz diretor de um hospital, fundado por Eurípedes
Barsanulfo, ver essa honrosa tarefa a ele atribuída como carma?
E
desejar desincumbir-se dela?
“(...)
o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima na esfera
sexual, para devotar-se aos valores do espírito, e, tanto assim que ambos não
geraram herdeiros diretos (...)” (56).
Aqui
entra na vida íntima de Kardec e sua esposa para fazer essa “revelação”. Em
livro subsequente, diz que eram estéreis.
“(...)
também sou suscetível a periódicas crises de depressão... Afinal, ao que me
consta, ainda sou gente, não é?” (138).
Seria
crível que um diretor de um hospital psiquiátrico, fundado por Eurípedes
Barsanulfo, sofrer crises de depressão?
“O
sexo, além da morte, não é algo pecaminoso: é instrumento de sublimação.” (216).
O
sexo não é pecaminoso nem na Terra, nem no Mundo Espiritual. O seu mau uso,
sim.
No
Limiar do Abismo
Que
os nossos irmãos, pois, permaneçam atentos e não se deixem ludibriar; não há
sobre a Terra, na atualidade, um único médium encarnado com suficiente autoridade
para penetrar nos enigmas pertinentes às anteriores experiências
reencarnatórias de quem quer que seja. O que revelam, nesse sentido, não passa
de mera suposição ou invencionice. (62)
Como
é que, em livro posterior, ele “revela” que Chico foi a reencarnação de
Anchieta.
—
Preciso ir ao sanitário – disse-lhes, tentando me colocar de pé.
—
Sanitário, aqui?!... – reagiu, Paulino, tão surpreso quanto eu.
—
Por favor – solicitei, afrouxando a calça –, afastem-se...
E,
ali mesmo, sem qualquer escrúpulo, improvisei uma latrina. (192)
O
desarranjo intestinal fora causado pela ingestão de um pedaço de churrasco de
javali, no Umbral...
— Em
meu primeiro livro escrito depois de morto, “Sob as Cinzas do Tempo”, eu
me refiro diversas vezes ao meu antigo hábito de fumar; pois bem: segundo
soube, houve alguém que teve o capricho e a paciência de contar o número de
vezes que fiz menção ao tabaco, para chegar à conclusão de que não sou um
Espírito Superior... (217)
Sim,
eu contei e publiquei suas 25 referências ao hábito de fumar, relatadas até com
certo ar de vitória, sem, nem uma única vez, falar dos danos causados pelo uso
do tabaco. Na obra “Obsessão e Cura”, refere-se, igualmente, 12 vezes, tendo, à
pág. 178, declarado estar fumando durante uma prece a Jesus.
—
Essa história de ter sido médium 40, 50 anos, de ter feito inúmeras palestras,
de ter escrito dezenas de livros ou artigos em jornais e revistas, de nunca ter
perdido a pose... (219)
Sempre
atacando os espíritas...
O Pensamento
Vivo do Dr. Inácio
E para que eu não continue sentindo falta de ser eu mesmo nestas
palavras, deem uma banana para o resto! (23)
Será que ele falaria isso ante a venerável figura de Bezerra de
Menezes?
– Domingas, precisamos acabar com essa falsidade... Eu nunca
empreguei palavrões em meus escritos!
Esse pessoal precisa deixar de me encher a bolsa escrotal!...
–“Bolsa escrotal”, não é um termo chulo, Doutor?
– Convém perguntar a Deus, que a fez, você não acha? Que termo
você sugeriria, quando tivesse que se referir ao órgão genital, masculino ou
feminino!?... (233)
Seria necessário comentar isso?
Por
Amor ao Ideal
—
Vamos, quem é o macho que vai se denunciar?... Quero esfolá-lo vivo! Aqui
ninguém é pago para cochilar no serviço. Se não aparecer o culpado, vou
escolher qualquer um e demiti-lo. (40)
Nesse
livro, pretende fazer um relato, enquanto encarnado, de sua vida como diretor
do hospital espírita de Uberaba...
Lendo-se
a biografia do Dr. Inácio Ferreira, constata-se que essa postura é mentirosa.
—
Vai-se ver, Doutor, que na outra encarnação... – intrometeu-se uma morena
redonda, das melhores cozinheiras que já passaram pelo Sanatório.
—
Cuide de suas panelas... Como é que pode ir adiante um hospital de loucos em
que até a cozinheira dá palpites? Que outra encarnação, que nada!... É a
primeira vez que estou vivendo no meio dessa corja – primeira e última, se Deus
quiser.
A
morena sorriu e caminhou requebrando com sua pesada traseira, não dando a
mínima para o que eu havia falado. (42)
Esse
Espírito fascinador faz tudo para mostrar que o Dr. Inácio já era
desequilibrado quando encarnado.
Porém,
profanando o ambiente, eu não resisti. Antes de me levantar e ir embora,
aproximei os lábios de seu estúpido conduto auditivo e sussurrei-lhe,
pausadamente, certos termos chulos que quase todo menino da rua sabe dizer! O
homem arregalou os olhos, as suas faces ficaram congestas e eu pensei que, ao
invés de um, teríamos dois cadáveres expostos no salão... (91)
Nota-se,
em todo o livro, o desejo de mostrar que o Dr. Inácio sempre foi grosseiro como
ele é pintado agora.
O
meu misterioso paciente estava de volta... Chegou à minha casa num sábado à
tarde, num desses sábados sem luminosidade, com excesso de nuvens escuras no
firmamento. Havia vários meses que eu não o via. (261)
—
Tem obras publicadas?
—
Alguns ensaios apenas; nada que tenha repercutido...
— E
o seu sotaque?
— Eu
já preciso ir, Doutor — levantou-se, sem me responder.
—
Mandarei, depois, o dinheiro da consulta... (273)
No
entanto, quando abri o livreto, quase caí de costas: um retrato a bico-de-pena,
feito com tinta nanquim, era a reprodução exata do rosto do meu paciente!... “E.
A. Poe” – dizia o pequeno texto —, morto em 1918, vitimado por alcoolismo.
Contista e poeta norte-americano que, infelizmente, nos deixou tão cedo — aos
39 anos de idade.” (275/6)
Este,
talvez o relato mais absurdo do livro, em que esse Espírito menospreza a
capacidade de o leitor analisar: como é que um médico, principalmente um
psiquiatra, recebe um cliente em consulta sem saber-lhe o nome? Mais tarde, fica
sabendo que conversara com Edgar Alan Poe, desencarnado há 140 anos. No livro,
há um erro de data, pois ali é afirmado que a desencarnação ocorrera em l918.
O
que vou lhes dizer em seguida – caros leitores –, ficará a critério de vocês
aceitarem ou não. Devo ser fiel à verdade dos fatos.
Prosseguindo
pela voz da médium, o célebre criador do romance policial contou:
—
Observando-me as tentativas frustradas de contactá-lo, um desconhecido me
orientou:
— “Por
que você não se materializa? Não é tão difícil assim... É só conseguir
ectoplasma...”
—
Ora – explicou a entidade –, eu jamais havia ouvido falar em ectoplasma... “Que
substância é esta?” –
perguntei
sem me dar conta, como das vezes anteriores, do idioma em que eu estava me
expressando: eu pensava em inglês e ele entendia em português,
exatamente, Doutor, como está acontecendo agora.
— “Ectoplasma
– respondeu-me – é fluido animal; se você conseguir quantidade suficiente para
se revestir,
poderá
tornar-se visível...”
— De
que maneira obtê-lo? – quis saber, curioso.
— “Através
de um doador vivo ou... morto.”
—
Morto? – questionei, duvidando que aquela história toda fosse verdade.
—“Sim,
no cemitério...”
—
Poderei encontrar tal substância materializante no cemitério?
—“Não
nos corpos em adiantado estado de decomposição, mas nos que morreram
recentes...”
— E
o que devo fazer?
—“Mentalize,
plasme-se...” falou o espírito, que se retirou.
—
Quase a desanimar (Poe deu seqüência à inusitada narrativa), localizei o
cemitério e me pus a esperar um enterro. Foi difícil, pois não me consentiam me
aproximar de certos cadáveres... Algumas entidades que não falavam comigo
dispersavam uma matéria brilhante na atmosfera e os cadáveres ficavam vazios.
“Aquilo é o ectoplasma” – pensei. Depois disso, um enterro com quase nenhum
acompanhamento chegou ao cemitério... O corpo inanimado era o de um homem que,
bêbedo, havia caído de um andaime; espessa substância leitosa ainda lhe
escapava abundante, dos orifícios e, inclusive, dos poros, a praticamente
envolver-lhe toda a forma física... Dele, curiosamente, eu pude me aproximar
sem qualquer embaraço e, após o seu corpo ter descido à cova rasa, postei-me ao
seu lado e, com as mãos, comecei a me cobrir com aquele tecido gaseificado... O
meu desespero era tamanho, Doutor, que eu o introduzia na boca, eu o inalava
através das narinas, como se eu fosse um paciente hospitalizado recebendo uma
transfusão de sangue...
—
Aos poucos, sem que eu pudesse explicar o fenômeno – prosseguiu dizendo –, fui
tomando forma humana, ou melhor, retomando-a... Era interessante observar.
Felizmente, não havia ninguém por perto... A imagem que eu conservava de mim
era tão forte em minha mente, que, devagar, fui reconstituindo, com a força do
pensamento, detalhe a detalhe, inclusive a própria indumentária – aquela que,
de hábito, eu envergava em meus derradeiros dias no corpo quando, infelizmente,
tombei vítima do alcoolismo. Quando a metamorfose se completou, a minha
primeira iniciativa foi a de procurar um espelho – eu queria me ver... Saí do
túmulo no qual praticamente me encontrava mergulhado e, percebendo um carro
estacionado à porta do campo santo, me fitei no seu retrovisor externo – era
eu, sem tirar nem pôr! De imediato, acudiu-me uma idéia à cabeça: – Que bom
seria, se eu pudesse, sempre me conservar assim: este corpo certamente não
adoece e... não morre, não estando sujeito às vicissitudes do corpo feito de carne...
De certa maneira, inclusive, eu me remoçara e aquelas indisposições orgânicas
haviam desaparecido.
A
narrativa de Poe me surpreendia; eu nunca havia lido nada parecido a respeito
na extensa bibliografia espírita especializada. (282/6)
Nem
poderia ter lido, pois se trata de ficção da pior espécie! Para constatar a
falácia desse “conto”, é só consultar o livro “Missionários da Luz”, cap. 10,
onde há uma descrição minuciosa do preparo de uma reunião destinada à materialização
de um Espírito. Essa operação envolveu, dentre outros, a cooperação de vinte
entidades de nobre hierarquia.
Reencarnação
No Mundo Espiritual
– É uma honra, Doutor, é uma alegria trabalhar ao seu lado!
– Não puxe, não, hem?, que arrebenta... (130) – A situação, às vezes, é vexaminosa... A gente se descompõe, não
é?
– E tem que rezar muito, Longino, para não fazer besteira...
– Eu sei: dizer palavrão, tirar a roupa...
– Para mostrar o quê? Se bem que, agora, com o Viagra, a gente
reage...
O meu interlocutor gargalhou.
– Impagável, Doutor! Veja se esta é conversa de dois espíritas, no
Além?!
– De dois espíritas normais, é! (134)
Seria necessário comentar esses diálogos? Relato num livro
espírita ou na mesa de um bar?
– De quando em quando, faço questão de visitar a Terra, apenas
para ver como estão aqueles que, quando eu tinha 80, estavam com os seus 30, 40
de idade... Se não se cuidarem, não chegarão à minha marca, com os cigarros que
fumei a vida inteira! Alguns estão irreconhecíveis, com as rugas que têm no
rosto contando das lutas que enfrentam na vida. Coitados! E eu, neste Outro
Lado, remoçado e forte, simpático como sempre fui, tendo de me esconder do
assédio da mulherada...
(141)
Modo muito grosseiro de se referir a mulheres, talvez própria da
mesa de um bar, mas não de um local no Mundo Espiritual organizado no Bem. Ou
no Umbral?
A correspondência sobre uma de minhas mesas se acumulava.
Missivistas da Terra e do Além me escreviam, expondo suas dúvidas sobre os mais
variados assuntos: perguntas sobre temas da Doutrina, questões pessoais,
indagações sobre mediunidade, pedidos de intercessão em favor de um ente
querido desencarnado, palavras de estímulo e coragem ao trabalho que estamos
desenvolvendo... (148)
Confiando tanto na incapacidade de o leitor analisar, nem tenta
explicar como uma carta escrita na Terra chegara à sua mesa de trabalho, nem
como a resposta seria enviada... É fazer muito pouco do conhecimento
doutrinário, ou mesmo da capacidade mental do leitor...
Trabalhadores
da Última Hora
As Trevas, se assim posso me expressar, consentiram que o Cristo
pregasse a Boa Nova em seu reduto, que era a Terra, desde que, por fim,
triunfassem permanentemente. (279) (Grifei)
As Trevas deram consentimento? Estão na direção do Planeta? Essa
é a tese dos “Testemunhas de Jeová”, que distribuem um folheto colorido,
declarando que Satanás é quem governa o Mundo.
Tio, o senhor benze? O vovô está acamado... o senhor benze? É
claro, vamos vê-lo – respondeu.
A mamãe – disse um garotinho, sem camisa –, com o remédio que o
senhor lhe deu, já melhorou da dor de cabeça... O senhor trouxe mais?
Essa, uma conversa que o “Dr. Inácio” teria tido com Espíritos
desencarnados, residentes na colônia onde ele se encontra. Lá ele distribui
remédios, benze, cura dor de cabeça...
Como vai o nosso Morubixaba?
Patuwa não diz, mas sabe que ele está perto de morrer de novo...
Não diga nada a ninguém. O Pajé branco já sabe... Não quero tristeza na pequena
tribo. Quando Patuwa” morrer”, vou dar meu corpo a você...
– A mim?! – perguntei com espanto.
– Entenda bem, para você estudar. Quero que você o abra, veja o
que tem dentro e escreva para a Terra contando o que viu.
– Mas eu não sou cirurgião! – aleguei – Eu sou psiquiatra! Não sei
mais dissecar um corpo... (67/68)
O morubixaba dá ordens ao “Dr. Inácio”! O índio estava
tuberculoso, no Mundo Espiritual. Previa sua “morte” e doava seu perispírito
para o “Dr. Inácio”, determinando o que dele deveria ser feito...
– Melhorando – respondeu com uma piscadela. – A febre, no entanto,
vai e volta. (58)
A febre no perispírito, que tosse, escarra sangue...
– A febre está voltando cada vez mais forte – disse ele com
tranquilidade. – Deixarei a carcaça na Lua Nova – previu com voz entrecortada. (71)
O morubixaba acabou “desperispiritizando”. Não se pode dizer que
desencarnara, pois não estava encarnado... Esse Espírito fascinador louva,
endeusa o Chico, mas trabalha no sentido de desmentir-lhe a obra.
8
São Francisco de Assis, em certas ocasiões, chegava a rolar sobre
espinheiros, flagelando-se de maneira voluntária, para não oferecer sintonia
aos espíritos que o tentavam! (78)
Referência a um livro psicografado por João Nunes Maia, onde há
a afirmativa que Francisco de Assis, para fugir à tentação do sexo, lançava-se
sobre espinheiros, ferindo sua genitália. Se Francisco de Assis precisava fazer
isso, onde estava a sua força mental?
O
Pensamento vivo do Dr. Inácio
– Domingas, precisamos acabar com essa falsidade... Eu nunca
empreguei palavrões em meus escritos!
Esse pessoal precisa deixar de me encher a bolsa escrotal!...
–“Bolsa escrotal”, não é um termo chulo, Doutor?
– Convém perguntar a Deus, que a fez, você não acha? Que termo
você sugeriria, quando tivesse que se referir ao órgão genital, masculino ou
feminino!?... (233)
Grosseria que dispensa comentários...
A turma que, em maioria, renasce por aqui e nas dimensões
subjacentes é através do sexo mesmo!
A turma copula! Você falou em orgias e em número excessivo de
gravidez, como se os métodos contraceptivos existissem apenas entre os
encarnados... Não!
Eu não sei em que livro está – é um dos que Ranieri escreveu –,
mas, certa vez, conversando à boca pequena com o médium e profeta Chico Xavier,
disse que, daqui a uns 200 anos, a Ciência irá construir um grande útero e,
então, a mulher será liberada da gravidez! Mas, segundo ele, o espírito reencarnaria
direitinho... Não parece coisa de ficção?! (20).
Pobre Chico! Depois de uma vida dedicada ao Bem, ter sua memória
profanada dessa forma! Ranieri escreveu, dentre outros, “O Abismo” e “Sexo além
da Morte”. Foram os precursores dessa obra nefasta do Dr. Inácio e de outros.
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
A
seguir, volta a bater na tecla da reencarnação no Mundo Espiritual:
– O que vocês diriam se aqui, no Mundo Espiritual, os homens
pudessem se relacionar sexualmente, como se relacionam, sem função reprodutora?
Virando-me na direção de Rodrigo, interroguei:
– Você sabe de algum de seus colegas, ou você mesmo, que não faça
sexo por aqui?
– Não, Doutor, não me peça nomes. Mas não sei de ninguém –
descontraiu-se o inteligente rapaz, levando os colegas a sorrir. (255)
Parece até que alguém, no contexto, tem problemas sérios no
campo sexual, tantas são as referências...
Estudando
Nosso Lar
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
A
seguir, volta a bater na tecla da reencarnação no Mundo Espiritual:
– O que vocês diriam se aqui, no Mundo Espiritual, os homens
pudessem se relacionar sexualmente, como se relacionam, sem função reprodutora?
Virando-me na direção de Rodrigo, interroguei:
– Você sabe de algum de seus colegas, ou você mesmo, que não faça
sexo por aqui?
– Não, Doutor, não me peça nomes. Mas não sei de ninguém –
descontraiu-se o inteligente rapaz, levando os colegas a sorrir. (255)
O “Dr. Inácio”, em várias ocasiões, afirma que os espíritas não
estudam. Para contestar suas obras não há necessidade de estudo doutrinário.
Qualquer pessoa que tenha noção de ética, de boas maneiras, até mesmo de
educação, tem perfeitas condições de repudiar esses escritos, vazados em termos
irreverentes, grosseiros, agressivos, chulos, totalmente incompatíveis com a
maneira de se expressar de qualquer pessoa medianamente educada.
Estas
e outras análises completas poderão ser obtidas pelo email:
O Espiritista
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
VENCENDO A BARREIRA DO MAIS ALÉM
Uma série de cartas de um Espírito constituem, basicamente, este livro. Sim, escritas por um jovem desencarnado, que vencendo a barreira da morte voltou a conversar com os seus entes queridos, que ficaram na Terra, pela mediunidade psicográfica de Chico Xavier.
O prezado leitor observará que as mensagens dirigem-se, mais diretamente, à sua adorável mãezinha, permitindo-nos imaginar dois corações – um no Plano Físico e outro no Espiritual – a se encontrarem, varias vezes, através de abençoado “correio” mediúnico, atraídos pela sublime e imensurável força do amor. Um caso típico de amor sem adeus...
Diante do elevado conteúdo das cartas de Walter buscamos, de nossa parte – fundamentados nas obras básicas da Codificação Kardequiana e em outras tantas de reconhecido valor doutrinário -, desenvolver, despretensiosamente, vários temas enfocados pelo Autor Espiritual.
Para a elaboração do histórico dos dois primeiros capítulos e das notas explicativas que se seguiram a cada mensagem, contamos com a generosa boa-vontade dos pais e irmãos de Walter, especialmente de sua progenitora, D. Maria D. Perrone, que chegou a nos confiar o seu Diário Intimo – repositório de quase todos os dados de que necessitávamos, escritos ao calor dos acontecimentos.
As cartas foram transcritas na íntegra, com exceção de pequenos trechos, suprimidos compreensivelmente, com sinais convencionais, por tratarem de questões mais íntimas da família.
Esperamos que outros corações, em lances igualmente dolorosos pela separação de seres amados, possam, tanto quanto a Família Perrone, se beneficiarem com as palavras confortadoras e elucidativas – mensageiras de luzes e bênçãos, presentes em todas as cartas aqui reunidas.
Hércio Marcos Cintra Arantes – Araras, 23 de setembro de 1977 - (Ano do 50º aniversario de atividade mediúnica ininterrupta de Francisco Cândido Xavier)
Livro: Amor sem Deus
Chico Xavier/Espíritos Diversos
Francisco Rebouças
sábado, 1 de junho de 2013
Anotações da Mediunidade
Recebamos a experiência, por mais difícil, com a luz da confiança no Senhor que, nos oferecendo a luta depuradora, nos possibilita a própria regeneração.
Podemos
e devemos esposar a nossa iniciação, no aprimoramento para a Vida Superior, começando
a ser bons.
Desperta
e faze algo que te impulsione para a frente na estrada de elevação.
A
vida não te reclama atitudes sensacionais, gestos impraticáveis, espetáculos de
súbita grandeza...
Pede
simplesmente sejas sempre melhor para aqueles que te cruzem os passos.
No
lar, na profissão, nos templos da fé, na intimidade ou na via pública, somos
convidados ao bem que Jesus testemunhou, a fim de que a nossa diretriz, a
expressar-se no exemplo, projete-se nas mentes que nos rodeiam, induzindo-as à
renovação.
Se
a semente recusasse o sacrifício no seio da gleba em que aprende a morrer para
ressurgir a benefício dos outros, não colheríamos o grão que nos supre o
celeiro e, se o grão repelisse a mó que o desintegra, a pretexto de
conservar-se, não disporíamos do recurso indispensável do pão que nos alimenta.
Não
olvidemos que, tanto quanto possível, ao invés de rogarmos auxílio, antes de
tudo, devemos auxiliar, na certeza de que, se a nossa palavra elucida e
reanima, somente a nossa atitude positiva na prática dos princípios que
propagamos será bastante forte para reformar-nos.
Anota,
em torno de ti mesmo, a grande família humana reclamando-te pão e luz, esperança
e consolo.
Guardemos
a correta atitude do aprendiz do Senhor que não desconhece o sacrifício de si
mesmo como estrada única para a ascensão a que se propõe.
Fenômenos
mediúnicos serão sempre motivos de experimentação e de estudo, tanto favorecendo
a convicção, quanto nutrindo a polêmica, mas educação evangélica e exemplo em
serviço, definição e atitude, são forças morais irremovíveis da orientação e da
lógica, que resistem à dúvida em qualquer parte.
Mediunidade
é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode sintonizá-lo com o objetivo
que procura.
“Acharás
o que buscas” ensina o Evangelho, e podemos acrescentar “farás o que desejas”.
Assim
sendo, se te relegas à maledicência, em breve te constituirás em veículo dos gênios
infelizes que se dedicam à injúria e à crueldade.
Se
te deténs na caça ao prazer dos sentidos, cedo te converterás no intérprete das
inteligências magnetizadas pelos vícios de variada expressão.
...
Todavia, se te empenhas na boa vontade para com os semelhantes, imperceptivelmente
terás o coração impelido pelos mensageiros do Eterno Bem ao serviço que possas
desempenhar na construção da felicidade comum.
Observa
o próprio rumo para que não te surjam problemas de companhia.
Eleva-te
no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso
daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te
as aspirações para as vitórias da alma.
...
Não nos esqueçamos, porém, de que o movimento é de intercâmbio.
Se
o homem recebe o concurso dos Espíritos Benfeitores, é natural que os Espíritos
Benfeitores algo esperem igualmente do homem.
Nada
existe sem permuta ou sem resultado.
O
lavrador planta as sementes e recolherá os frutos.
O
lapidário auxilia a pedra, que lhe retribui, mais tarde, com a sua beleza e brilho.
...
E nós, que tanto temos recebido de Jesus, que oferecemos em troca?
Mediunidade
sem exercício no bem é semelhante ao título profissional sem a função que lhe
corresponde.
Não
procures o médium dos Espíritos Benfeitores qual se fosses defrontado por um
ser sobrenatural.
O
médium é um companheiro.
É
um trabalhador.
É
um amigo.
E
é sobretudo nosso irmão, com dificuldades e problemas análogos àqueles que
assediam a mente de qualquer espírito encarnado.
Não
alegues a suposta ingratidão dos outros para desertar da Seara do Bem.
Na
engrenagem da vida, cada qual de nós é peça importante com funções específicas.
Ninguém
recebe o conhecimento superior tão-só para o proveito próprio.
Saibamos
dividir o tesouro da compreensão em parcelas de bondade.
Seja
qual for o contratempo que se te erija em obstáculo na estrada a percorrer, age
para o bem.
Nem
sempre conseguirás materializar os amigos da Vida Maior para satisfazer a sede
de verdade que tortura a muitos de nossos companheiros na Terra, mas sempre
podes substancializar essa ou aquela providência suscetível de
prodigalizar-lhes tranqüilidade e consolação.
Nem
sempre obterás a mensagem de determinados amigos que residem no Mais Além, para
a edificação imediata dos que sofrem no Plano Físico; entretanto, sempre podes
improvisar algum recurso com que se lhes restaurem a energia e o bom ânimo.
Nem
sempre lograrás a cura de certas enfermidades no corpo de irmãos padecentes; todavia,
sempre podes lenir-lhes o coração e aclarar-lhes a alma com o apoio fraterno,
habilitando-lhes a mente para a cura espiritual.
A
terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do
perfume que embalsama a atmosfera.
O
Sol é o médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o
instrumento do progresso planetário.
Todos
os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade, através da qual
opera o Espírito de Jesus de mil modos diferentes, em cada setor de nossa
marcha evolutiva.
Ampara
os teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento
psíquico.
Amontoavam-se
vermes onde se congregam frutos desaproveitados ou apodrecidos, assim como a
luz brilha onde encontra força ou material que lhe sirva de combustível.
O
médium, para servir a Jesus de modo positivo e eficiente, no campo da
Humanidade, precisa aperfeiçoar-se à instrução, ao conhecimento, ao preparo e à
própria melhoria, a fim de que se faça filtro de luz e paz, elevação e
engrandecimento para a vida e para o caminho das criaturas.
Quem
deseje crescer para a Espiritualidade Superior não pode menosprezar o alfabeto,
o livro, o ensinamento e a meditação.
Jesus
é o nosso Divino Mestre.
Eduquemo-nos
com Ele, a fim de que possamos realmente educar.
Por
mais que se fale em mediunidade, é forçoso referir-nos sempre à disciplina que
só a Doutrina Espírita consegue orientar para o bem.
Agir
no bem é buscar a simpatia dos Espíritos Sábios e Benevolentes, encontrando-a.
Para
curar, é preciso trazer o coração por vaso transbordante de amor e, quem
realmente ama, não encontra ensejo de reclamar.
terça-feira, 19 de março de 2013
O Espiritismo Ensina
Queridos amigos, não percam o nosso encontro semanal através do programa “O Espiritismo Ensina” que vai ao ar todas as terças-feiras das 17:00 às 18:30h., pela WEB Rádio UMEN no endereço: http://www.umen.org.br
| Suzane Câmara e Francisco Rebouças |
O ESPIRITISMO ENSINA, é produzido, coordenado e apresentado por Francisco Rebouças e Suzane Câmara.
Você pode participar do programa enviando sua mensagem pelo e-mail:
Teremos o maior prazer em ler sua mensagem ao vivo. Participem, divulguem!!!
Francisco Rebouças
domingo, 17 de março de 2013
O Verdadeiro Passe Espírita
Meus prezados amigos, não
pretendemos ter a audácia
de nos apresentar como os donos da verdade, nem o disparate de pensar que
estamos dizendo a última palavra sobre o tema aqui exposto, e, embora respeitando as opiniões em
contrário, de quantos não concordarem conosco, temos o dever de dizer com toda convicção de um coração
transbordando de alegria, que nossos argumentos estão fundamentados na doutrina
espírita, e que por essa razão,
optamos por ficar com Kardec, e com os Espíritos Superiores, nas matérias aqui
expostas, contidas na Codificação e nas obras auxiliares de reconhecido
conteúdo doutrinário.
Assim sendo, não podemos aceitar simples opiniões pessoais de
escritor algum ou mesmo de quem quer que seja, como tendo o mesmo peso dos
ensinos dos prepostos de Jesus.
GRUPO
CURADOR DE MARMANDE.
INTERVENÇÃO
DOS PARENTES NAS CURAS.
"Marmande,
12 de maio de 1867.
"Caro
senhor Kardec,
"Já
há algum tempo que não conversamos sobre o resultado de nossos trabalhos
Espíritas que prosseguimos com perseverança e, estou feliz em dize-lo, com
sucessos satisfatórios. Os obsidiados e os doentes são sempre o objeto de
nossos cuidados exclusivos. A moralização e os fluidos são os principais meios
indicados por nossos guias.
"Nossos
bons Espíritos, que se devotaram à propagação do Espiritismo, tomaram também a
tarefa de vulgarizar o magnetismo. Em quase todas as consultas, para os
diversos casos de doenças, eles pedem o concurso dos parentes: um pai, uma mãe,
um irmão ou uma irmã, um vizinho, um amigo, são requeridos para fazer passes(...)”.
"Eis
alguns exemplos de curas obtidas.
"Uma
menina de 6 a 7 anos estava acamada, tendo uma dor de cabeça contínua, febre,
uma tosse frequente com escarro, uma dor viva do lado esquerdo; dor também nos
olhos que se recobriam, de tempo em tempo, de uma substância leitosa, formando
uma espécie de fronha. Sob os cabelos, a pele do crânio estava recoberta de
películas brancas; a urina espessa e turva. A criança fraca e abatida não comia
nem dormia. O médico tinha acabado por suspender suas visitas. A mãe, pobre,
em presença de sua filha doente e abandonada, veio me procurar. Nossos
guias consultados prescreveram, por todo remédio, a imposição das mãos, os
passes fluídicos da parte da mãe, recomendando-me ir, durante alguns dias,
fazê-la ver como a isto se prender. Comecei por fazer levantar os vesicatórios
e fazê-los secar. Depois de três dias de passes e de imposição de mãos sobre a cabeça, os rins e o peito, efetuados a título de lições, mas feitos com alma, a
criança pediu para se levantar;a febre estava detida, e todos os
acidentes descritos mais acima desapareceram ao cabo de dez dias.
*Fonte: Revista
Espírita Junho/1867, página 174/175.
*Essa é a nossa fonte pura de ensinamentos, que nos garante dizer
que "O Passe Espírita é realizado com a movimentação das
mãos", não somos paralíticos, robôs, ou postes, somos intérpretes do
mundo espiritual, Médiuns passistas a serviço de Jesus.
Francisco
Rebouças
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
LEI DO RETORNO
“E os que fizeram o bem sairão para a
ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da
condenação.” — Jesus. (JOÃO,
CAPÍTULO 5, VERSÍCULO 29.)
Em raras
passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto
aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.
Como
entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno
ardente e imperecível?
As
criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas
da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em
correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da
espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as
próprias possibilidades de ressurreição na luz.
Cumpre-lhes a
repetição do curso expiatório.
É a volta à lição
ou ao remédio.
Não lhes surge
diferente alternativa.
A lei de retorno,
pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.
Ressurreição é
ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas
eternas.
Nas sentenças
sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do
Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina é muito mais rica e
magnânima que parece.
Haverá ressurreição para todos, apenas com a
diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação,
decorrente da criação reprovável deles mesmos.
Livro: Pão Nosso
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O Espírita com Jesus
Quando
despertamos para as responsabilidades que o Espiritismo com Jesus nos impõe, é
imperioso não esquecer que ainda nos achamos na Terra encarnados, em grandiosa escola
de preparação para a Vida Maior.
Por
essa razão, encontramos ainda em seus variados departamentos, a ignorância gerando
a miséria, a miséria criando necessidades, as necessidades causando problemas,
e os problemas fomentando o desespero nos corações de uma quantidade esmagadora
de criaturas.
Desse
conjunto desesperado, gerado por essas forças negativas, nascem a superstição e
o fetichismo perturbando o caminho das criaturas que, apressadas, revoltadas e
invigilantes, muitas vezes, pretendem encontrar a felicidade sem observar que
antes precisam plantá-la no solo do coração, pois, foi o próprio Jesus quem nos
afirmou “ a cada um segundo as suas obras”, e ninguém encontrará
a paz, sem o esforço para se libertar dos equívocos e prejuízos a que se
acolheram.
No
entanto, quanto mais se apresentem a crendice e o fanatismo, operando o extravio
das consciências, mais amplo é o trabalho de cooperação que o Mestre nos
oferece, pois, o Cristianismo revivido pela nova filosofia nascente na
construção espírita de hoje, precisa representar pelo esforço de cada um de
nós, a vitória das forças da luz sobre as energias ocultas da sombra.
Assim,
se formos surpreendidos por qualquer espécie de culto primitivista, em desacordo
com o Evangelho de Jesus, nessa ou naquela corrente religiosa, ou mesmo até em
nosso meio espírita, procuremos auxiliar sem alarde as vítimas da fascinação, mergulhadas
por enquanto em manifestações impróprias ou inferiores da fé, por incapacidade
de entender a mensagem consoladora e esclarecedora do Evangelho de Jesus, como
nos diz Paulo: “não sabem como convém saber”, e procuremos de
forma cuidadosa incentivar a prática do estudo e o exercício do bem, pois, é
justamente nessas horas que a ocasião nos solicita bondade e tolerância,
compreensão e trabalho.
Que
a ignorância encontre em cada trabalhador espírita, a bênção do aprendizado.
Que
a miséria receba de nossas mãos o óbolo de carinho e compreensão dos quais se
faz carente.
Que
as necessidades dos nossos irmãos em humanidade, encontrem em cada um de nós o
concurso fraterno, e que os problemas que grassam em nossa sociedade nos
identifiquem na posição de laboriosos aprendizes de Jesus, sempre dispostos a amparar
e socorrer, edificar e instruir.
Busquemos
seguir os exemplos do Cristo, para que seu amor seja sentido em nós, porque o
discípulo consciente de seus deveres para com seu
Mestre e Guia, sabe que amar e servir constitui a missão
do bem diante do mal, e que ELE conta com cada um de seus colaboradores
na tarefa indispensável de edificar com seus próprios exemplos a vivência e a
edificação do contido no seu evangelho de luz no coração de toda a humanidade.
Francisco
Rebouças.
domingo, 30 de dezembro de 2012
DISSERAM
Que
não vencerás em teus empreendimentos;
Que
o teu doente querido está no clima da morte;
Que
atravessarás longa noite de provações;
Que
não mais encontrarás o trabalho que mais desejas;
Que
não te recuperarás de certas perdas sofridas;
Que
não realizarás os sonhos que acalentas;
Que
os entes amados distantes de ti nunca mais te voltarão ao convívio;
Que
o desgaste do corpo físico não mais te permitirá as realizações que tanto
almejas;
Que,
por essa ou aquela falta, andarás sobre a Terra constantemente sobre pedras e
espinhos.
Tudo
isso disseram...
Entretanto,
continua agindo e servindo, orando e esperando, porque as opiniões de Deus são diferentes.
Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Do livro “MOMENTOS DE PAZ” – Edição: IDEAL
O Espiritista
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Preste atenção ao que está fazendo
O minuto que você está vivendo agora é o mais importante de sua vida, onde quer que você esteja.
Preste atenção ao que está fazendo.
O ontem já lhe fugiu das mãos.
O amanhã ainda não chegou.
Viva o momento presente, porque dele depende todo o seu futuro.
Procure aproveitar ao máximo o momento que está vivendo, tirando todas as vantagens que puder, para seu aperfeiçoamento.
Livro: Minutos de Sabedoria
Carlos Torres Pastorino - 154
Francisco Rebouças
Preste atenção ao que está fazendo.
O ontem já lhe fugiu das mãos.
O amanhã ainda não chegou.
Viva o momento presente, porque dele depende todo o seu futuro.
Procure aproveitar ao máximo o momento que está vivendo, tirando todas as vantagens que puder, para seu aperfeiçoamento.
Livro: Minutos de Sabedoria
Carlos Torres Pastorino - 154
Francisco Rebouças
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Este Dia
Este dia é o seu melhor tempo, o instante de agora.
Se você guarda inclinação para a tristeza, este é o ensejo de meditar na alegria da vida e de aceitar-lhe a mensagem de renovação de permanente Amor Divino.
Se a doença permanece em sua companhia, surgiu a ocasião de tratar-se com segurança.
Se você errou, está no passo de acesso ao reajuste.
Se esse ou aquele plano de trabalho está incubado no seu pensamento, agora é o momento de começar a realizá-lo.
Se deseja fazer alguma boa ação, apareceu o instante para promovê-la.
Se alguém aguarda as suas desculpas por faltas cometidas, terá soado a hora em que você pode esquecer qualquer ocorrência infeliz e sorrir novamente.
Se alguma visita ou manifestação afetiva esperam por você, chegou o tempo de atendê-las.
Se precisa estudar determinada lição, encontrou você a oportunidade de fazer isso.
Este dia é um presente de DEUS, em nosso auxílio; de nós depende aquilo que venhamos a fazer com ele.
Livro: Respostas da Vida
Chico Xavier/André Luiz
O Espiritista
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Estudando o Espiritismo - E.S.E.
Da prece pelos mortos e pelos Espíritos sofredores
Os Espíritos sofredores reclamam preces e estas lhes são proveitosas, porque, verificando que há quem neles pense, menos abandonados se sentem, menos infelizes. Entretanto, a prece tem sobre eles ação mais direta: reanima-os, incute-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação e, possivelmente, desvia-lhes do mal o pensamento. É nesse sentido que lhes pode não só aliviar, como abreviar os sofrimentos. (Veja-se: O Céu e o Inferno, 2ª Parte — “Exemplos”.)
Pessoas há que não admitem a prece pelos mortos, porque, segundo acreditam, a alma só tem duas alternativas: ser salva ou ser condenada às penas eternas, resultando, pois, em ambos os casos, inútil a prece. Sem discutir o valor dessa crença, admitamos, por instantes, a realidade das penas eternas e irremissíveis e que as nossas preces sejam impotentes para lhes pôr termo. Perguntamos se, nessa hipótese, será lógico, será caridoso, será cristão recusar a prece pelos réprobos? Tais preces, por mais impotentes que fossem para os liberar, não lhes seriam uma demonstração de piedade capaz de abrandar-lhes os sofrimentos? Na Terra, quando um homem é condenado a galés perpétuas, quando mesmo não haja a mínima esperança de obter-se para ele perdão, será defeso a uma pessoa caridosa ir carregar-lhe os grilhões, para aliviá-lo do peso destes? Em sendo alguém atacado de mal incurável, dever-se-á, por não haver para o doente esperança nenhuma de cura, abandoná-lo, sem lhe proporcionar qualquer alivio? Lembrai-vos de que, entre os réprobos, pode achar-se uma pessoa que vos foi cara, um amigo, talvez um pai, uma mãe, ou um filho, e dizei se, não havendo, segundo credes, possibilidade de ser perdoado esse ente, lhe recusaríeis um copo d’água para mitigar-lhe a sede? um bálsamo que lhe seque as chagas? Não faríeis por ele o que faríeis por um galé? Não lhe daríeis uma prova de amor, uma consolação? Não, isso cristão não seria. Uma crença que petrifica o coração é incompatível com a crença em um Deus que põe na primeira categoria dos deveres o amor ao próximo.
A não eternidade das penas não implica a negação de uma penalidade temporária, dado não ser possível que Deus, em sua justiça, confunda o bem e o mal. Ora, negar, neste caso, a eficácia da prece, fora negar a eficácia da consolação, dos encorajamentos, dos bons conselhos; fora negar a força que haurimos da assistência moral dos que nos querem bem.
Outros se fundam numa razão mais especiosa: a imutabilidade dos decretos divinos. Deus, dizem esses, não pode mudar as suas decisões a pedido das criaturas; a não ser assim, careceria de estabilidade o mundo. O homem, pois, nada tem de pedir a Deus, só lhe cabendo submeter-se e adorá-lo.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVII, itens 18 a 20.
O Espiritista
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