quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Análise de Livros atribuídos ao Dr. Inácio Ferreira

 
José Passini
Resumos de análises de livros atribuídos ao Dr. Inácio Ferreira
O objetivo deste trabalho é apenas chamar a atenção dos dirigentes de centros, livrarias e clubes do livro espírita quanto à responsabilidade que assumem ao divulgarem informações tão distorcidas, redigidas em linguagem incompatível com a nobreza, a dignidade e a seriedade da Doutrina Espírita. 
A Escada de Jacó
 
“Acordando mal-humorado, respondi ao cumprimento de Manoel Roberto com um simples muxoxo e fui direto para o meu gabinete.” (30)
Seria possível um diretor de hospital do Mundo Espiritual, acordar mal-humorado?
“— Para aparecer alguém e colocar tudo a perder, não é, Modesta? Eu não sei o que o Odilon tem a dizer, mas, no que me compete, eu o mandaria às favas... O Espiritismo não tem dono e a mediunidade também não! Se, na condição de espírita, eu tivesse que prestar obediência a alguém, eu não seria espírita! Vocês me conhecem, e neste ponto, sou radical.” (94)
Bravatas e grosserias comuns nas manifestações desse Espírito.
“— Doutor, não me deixe morrer! O que houve com os meus braços, que não consigo senti-los? Onde estão o meu pai e a minha mãe, a minha avó e os meus primos? Está doendo muito, Doutor!...” (186)
Conversando com um menino árabe, atingido por explosão que lhe arrancara os dois braços. Não explicou se estava materializado, ou se o menino era médium vidente, e como falara árabe.
“A uns duzentos metros do local, um camelo atingido por tiros de metralhadora agonizava e observei que, de sua boca e narinas, escorria uma substância esbranquiçada.
— O “plasma” daquele pobre animal nos servirá. Teça com ele uma espécie de manta... Não temos tempo a perder!” (186)
Afirma ter estancado a hemorragia com ectoplasma de um camelo agonizante. Por que, então, os Espíritos não buscam, para socorro a encarnados, essa substância abundante em matadouros?
“Não tivemos que esperar muito. Curtindo tremenda ressaca, o casal se despiu dos trajes mais íntimos e, com certeza, o resto os nossos irmãos nos dispensarão de relatar. Digo-lhes somente que fiquei sem entender quando, após terem atingido o orgasmo, Flávio foi praticamente sugado dos meus braços e, como se o perispírito ainda mais se lhe restringisse, atravessando a barreira das dimensões diferentes, encolheu-se feito um filhote de pássaro no ninho.” (282)
Descrição grosseira da invasão na intimidade de um casal, contrariando o que André Luiz relata em “Missionários da Luz”, cap. 12, quando fala do respeito que os Espíritos têm pela intimidade do casal, e que a ligação do reencarnante à forma física se dá horas depois do ato sexual. No livro “O Pensamento Vivo do Dr. Inácio”, ele próprio se desmente, citando Chico Xavier: “O processo é mais lento, tratando-se de reencarnação compulsória, nessa categoria de espírito. Leva mais de ano para completar o restringimento” (121) 
A Vida Viaja na Luz 
– No outro dia, bem cedo, na companhia de Modesta e Manoel Roberto, fui ver, nas imediações do Hospital, uma chácara que conseguíramos em regime de comodato, para a realização de velho sonho. (25)
Aluguel de terreno no Mundo Espiritual?
– O Hospital dos médiuns será a instituição mantenedora da Sociedade Protetora dos Animais “Francisco de Assis”!
– Uma Sociedade Protetora dos Animais no Além! (27)
– O Hospital dos Médiuns, do ponto de vista jurídico, responderá pela Sociedade “Francisco de Assis”. (30)
Tentativa de desmerecer as revelações de André Luiz, levando as semelhanças da vida no Mundo Espiritual com a da Terra a níveis inaceitáveis.
– Ultimamente, muitos espíritas recém-desencarnados marcam consulta comigo. Não que estejam propriamente doentes, mas desejam ajustar certas ideias em conflito com a realidade da Vida, ante a qual se deparam na existência de Além-Túmulo. (184)
Não só ele, mas também outros Espíritos buscam demonstrar que pouco valeram, para os espíritas, as luzes do Espiritismo, pois chegam necessitando de “marcar consulta” com um psiquiatra. Onde, na obra de André Luiz, vimos esse funcionamento tão terreno de um consultório médico?
– Você é espírita?
– Sim, há mais de 40 anos...
– Desencarnou, e daí?
– Não aconteceu absolutamente nada. Estou na mesma
– Não volitou?
– Mal me arrastei e estou me arrastando...
– Come e dorme?
– E bebo água!
– Faz sexo?
– Faço!
– Com o que?
– Doutor, o senhor é louco!
– Responda.
– Com as coisas, ué!
– Você é espírito vampiro?
– Não, eu sou normal.
– Então, você faz sexo é com desencarnado?
– É! Pensou o quê? Eu não sou íncubo...
– Tem orgasmo?...
Bem, desculpem-me, mas o restante da entrevista é proibido para menores e não quero poluir a cabeça desse nosso pessoal beato, que considera pecado ter orgasmo num só lado da Vida, quanto mais nos Dois! (190/191)
P.S: No que se refere à coragem do testemunho e verdadeiro amor à Causa, não posso deixar de reconhecer que, por seus ovários, muitas mulheres possuem mais “bolas” do que muitos homens! (271)
Julgo desnecessário qualquer comentário do texto acima, pois parece retirado de uma revista humorística de baixo nível.
Chico Xavier Responde
— Mas você não era Allan Kardec reencarnado?
— E quem vocês pensam que era Allan Kardec? (9)
Além de colocar lenha nessa fogueira infeliz alimentada por espíritas novidadeiros, procura, ao mesmo tempo, rebaixar o conceito que temos do Codificador.
— O que teria a dizer aos que afirmam que André Luiz fez literatura de ficção?
— Que a ficção sempre se antecipa à realidade. (28)
Tentativa de diminuir o valor da obra de André Luiz.
— E quem foi Hippolyte-Léon Denizard Rivail?
— Alguém que, não fossem os Espíritos, teria vivido no mais completo anonimato; um homem comum, como tantos outros que vivem esquecidos dos homens... (45)
Nova tentativa de reduzir a figura do renomado educador francês de quem a Espiritualidade Superior se valeu para trazer-nos o Espiritismo. Para se inteirar-se de quem foi o Professor Hippolyte-Léon Denizard Rivail só consultar as obras de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen e de Dora Incontri.
— Faltava um pouco de Chico a Kardec ou de Kardec a Chico?
— Creio que de Chico a Kardec. (47/48)
Mais uma tentativa de diminuir a figura do Codificador, dizendo, talvez, que lhe faltasse a humildade e a doçura de Chico.
— Como médium, Chico, na recepção das mensagens ditas particulares, você necessitava de um contato prévio com os familiares encarnados do espírito comunicante?
—Ainda que fosse mínimo.
— Com qual objetivo?
— De estabelecer sintonia, facilitando o mecanismo que se coloca em funcionamento no diálogo que se estabelece entre encarnados e desencarnados. (70/71)
Aqui, esse Espírito fascinador entra no terreno da mentira, da calúnia. Qualquer pessoa que tenha conhecido o Chico tem consciência da falsidade dessa afirmação. O médium desse Espírito fascinador é que usa dessa prática, conforme declarou na imprensa.
— Você é contra ou a favor do abortamento, em casos em que o feto esteja se desenvolvendo sem cérebro?
— Creio que o assunto seja pertinente ao livre arbítrio dos genitores, especialmente ao da mãe, mas, qual o significado se levar a termo uma gestação que, com os modernos recursos da Medicina, já se sabe de antemão comprometida do ponto de vista genético? Não seria penalizar, desnecessariamente, os familiares?
— Em caso de estupro, é lícito o abortamento?
— Em casos de estupro, a única vontade que deve prevalecer e ser respeitada é a da mulher que foi vítima de semelhante agressão. (140)
Um posicionamento contrários à Doutrina Espírita.
 
Estudando Nosso Lar 
... vasculhando papéis sobre a mesa, me deparei com a carta que uma irmã me endereçara da Terra.
– Dr. Inácio, – escrevera ela –, fico encantado (sic) com o seu amor aos animais... (95)
Esse Espírito fascinador subestima tanto a capacidade de análise do leitor, que não explica como uma carta de um encarnado chega ao Mundo Espiritual e é colocada sobre sua mesa. E ele a responde!...
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
Novamente, defende a tese da reencarnação no Mundo Espiritual (Reencarnação sem carne!)
– Isso é uma aula de botânica! Brincou Domingas.
– Muitos dirão que é pornografia... Uma banana para eles, de preferência verde! (256)
– Pronto! Agora está me puxando o saco... E o pior, não, o melhor é que espírito também tem isso...
(264)
Livros como este não necessitam de exame doutrinário. É só o leitor lembrar-se de que um Espírito que tenha um mínimo de refinamento jamais usaria expressões como essas. Será que quem se expressa dessa forma conviveria no Mundo Espiritual com Eurípedes, Bezerra, Emmanuel, André Luiz, conforme declara em seus livros?
Fala, Dr. Inácio!
– Só para determinado jornal, eu respondi a três entrevistas que não foram publicadas...
– Eu sei, mas também quem manda você não contemporizar? Faça política... È o que esse pessoal quer: ser bajulado!
Diga que eles foram personalidades ilustres em vidas anteriores, ligadas a Allan Kardec, etc. Você não mente... Como é que quer fazer parte da “panela”, se não entra nela? Corrompa-se, e você terá espaço. (71)
Seriam conselhos como esse dados por um Espírito equilibrado? Onde, na legítima literatura espírita viu-se algo semelhante?
– E quando se trata de gravidez ocasionada por estupro?
– Quando se trata de estupro, creio que se deve dar à mulher o direito de decidir, e respeitá-lo, seja qual for. (128)
– Mesmo que ela decida pelo aborto?
– A sociedade não pode obrigá-la a arcar com as consequências de tal violência. Ponhamo-nos no lugar da mulher aviltada em sua dignidade... A pretexto de ética religiosa ou o que o valha, não podemos traçar regras de comportamento para os outros. (128)
Não se trata de uma “ética religiosa” discutível. Trata-se do que nos ensinam os Espíritos Superiores, conforme “O Livro dos Espíritos” (item 358)
– A mulher deve ter o direito de abortar o anencéfalo?
– Creio que Deus, através dos progressos da Ciência, está nos dotando de meios a fim de que tenhamos certas provas suavizadas. Sabemos que a dor é benéfica para o espírito, no entanto, recorremos ao analgésico. (131)
Sim, é lícito o uso do analgésico, mas para aliviar uma pretensa dor moral, seria lícito o assassinato de um nascituro?
– Então, a gravidez do anencéfalo deve ser interrompida?
– Se os pais, e principalmente a mãe tomarem tal decisão, após a confirmação do diagnóstico, cabe-nos, repito, acatá-la sem recriminações. (131)
Então a Codificação está errada?
Fundação Emmanuel
Confesso-lhes que eu não conseguia tirar os olhos do ventre daquela menina que me passou a inspirar enorme simpatia. (98)
— Para quando será a criança, minha filha? – questionei.
— Dentro de uma semana, completarei os cinco meses...
— Faltam três, para oito...
— Não, doutor, o nosso tempo de gestação é menor – se passar da data, não será muito. (100)
Além do absurdo de uma gestação no Mundo Espiritual, há até erro no número de meses da gestação na Terra: são nove e não oito.
— É verdade também o que o Resenha está dizendo?...
— A menos que os jornais daqui também se equivoquem como os da Crosta costumam se equivocar – respondi.
— “Aos espíritas que me criticam...” – leu o rapaz, em voz alta.
— “...ofereço, solenemente, uma banana!...” – não me esquivei de concluir, na alusão grotesca ao gesto feito com a mão esquerda apoiar-se no braço direito, tendo o antebraço voltado para cima com a mão fechada. (135)
Esse Resenha é um jornal que circularia no Mundo Espiritual, relatando fofocas da Terra.. Ao contrário do que se lê na obra Nosso Lar, cap. 23.
As manifestações de grosseria do “Dr. Inácio” continuam...
— Desembuche, Manoel, antes que eu continue dizendo e escrevendo o que não devo...
— Dr. Inácio – esclareceu –, quatro padres estão à sua espera...
Quatro?!... Um só já seria muito! Que desejam? Me converter?
— Estão pedindo permissão para uma visita ao Hospital, alegando que receberam graves denúncias. (186)
Agora inventou padres fazendo inspeção num hospital...
— Que aparelho é esse no braço dela?
(...)
— É, então, um minicomputador...
— Funciona como se fosse e é capaz de apontar, com precisão absoluta, desequilíbrios de risco para o organismo.
— Como, por exemplo, a iminência de um colapso cardíaco, alteração da pressão sangüínea?
— Taxas de glicose, oscilação de temperatura, presença de um microorganismo patogênico... (226)
Aqui explica que a jovem grávida correria risco “de morrer” durante o parto, lá no Mundo Espiritual!
— Meu caro Dr. Hernani – aparteou Odilon, aproveitando a deixa –, o senhor não repare, se precisamos ir; temos ainda uma visita a ser feita hoje...
— Que pena! – lamentou.
— Voltaremos para uma nova sessão de piadas – enfatizei. — Tenho algumas para lhe contar, mas só nós dois...
— Picantes?
— Piada espírita não tem graça, Hernani! (241)
Agora, envolve Hernani Guimarães Andrade e Cairbar Schutel numa roda de piadas, como se Espíritos desse nível fossem tão mundanos como ele...
Infinitas Moradas
— Estou olhando, Desidério – disse, fazendo o possível para não explodir. — Pode falar... Estou com conjuntivite; cheguei há pouco da Terra e, como sempre, havia muita fumaça lá embaixo... (...) (87)
Assim que ele se retirou, fazendo um esforço imenso para me controlar, pedi ao jovem enfermeiro que me chamasse, às pressas, o Manoel Roberto ao consultório. (90)
Essa, uma entrevista com um pretenso paciente, desenvolvida ao longo de uma conversa sem sentido, sem nenhum ensinamento, a não ser a revelação de que depois de desenvolver uma conjuntivite, a partir de uma contaminação adquirida na Terra, um psiquiatra do Mundo Espiritual, diretor de um hospital, quase se descontrolou ao final de uma conversa vazia, que tomou cinco páginas de um livro... Note-se ao absurdo que esse Espírito fascinador leva seus leitores: Um Espírito desencarnado contaminar-se com doenças da Terra. 
Do Outro Lado do Espelho 
– O espírita tem a mania de se julgar sempre com a verdade.” (16) “— Nós, os considerados mortos, em matéria de mediunidade temos que nos contentar com percentagem: 30% nossos, 70% do médium... Quando, pelo menos, são 50% para cada lado, vá lá... Raro o médium que nos permite o empate. Isso sem falarmos nos médiuns que vivem colocando palavras inteiramente suas em nossos lábios: é um tal de termos dito, sem termos dito nada... (...) Os médiuns hoje querem improvisar... Quanta mistificação!...” (160)
Um discurso específico visando ao descrédito da mediunidade. Descrédito que se estenderia até à Codificação, que teria, no mínimo, 50% de contribuição dos médiuns com os quais Kardec desenvolveu a Codificação.
 
Na Próxima Dimensão 
“(...) grande hospital, cuja direção, no Mais Além, estava sob minha responsabilidade (eu não sei quando é que vou me livrar desse carma!)” (12)
Todo desencarnado equilibrado sente-se honrado em trabalhar no Mundo Espiritual. Como pode um Espírito que se diz diretor de um hospital, fundado por Eurípedes Barsanulfo, ver essa honrosa tarefa a ele atribuída como carma?
E desejar desincumbir-se dela?
“(...) o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima na esfera sexual, para devotar-se aos valores do espírito, e, tanto assim que ambos não geraram herdeiros diretos (...)” (56).
Aqui entra na vida íntima de Kardec e sua esposa para fazer essa “revelação”. Em livro subsequente, diz que eram estéreis.
“(...) também sou suscetível a periódicas crises de depressão... Afinal, ao que me consta, ainda sou gente, não é?” (138).
Seria crível que um diretor de um hospital psiquiátrico, fundado por Eurípedes Barsanulfo, sofrer crises de depressão?
“O sexo, além da morte, não é algo pecaminoso: é instrumento de sublimação.” (216).
O sexo não é pecaminoso nem na Terra, nem no Mundo Espiritual. O seu mau uso, sim.
No Limiar do Abismo
Que os nossos irmãos, pois, permaneçam atentos e não se deixem ludibriar; não há sobre a Terra, na atualidade, um único médium encarnado com suficiente autoridade para penetrar nos enigmas pertinentes às anteriores experiências reencarnatórias de quem quer que seja. O que revelam, nesse sentido, não passa de mera suposição ou invencionice. (62)
Como é que, em livro posterior, ele “revela” que Chico foi a reencarnação de Anchieta.
— Preciso ir ao sanitário – disse-lhes, tentando me colocar de pé.
— Sanitário, aqui?!... – reagiu, Paulino, tão surpreso quanto eu.
— Por favor – solicitei, afrouxando a calça –, afastem-se...
E, ali mesmo, sem qualquer escrúpulo, improvisei uma latrina. (192)
O desarranjo intestinal fora causado pela ingestão de um pedaço de churrasco de javali, no Umbral...
— Em meu primeiro livro escrito depois de morto, “Sob as Cinzas do Tempo”, eu me refiro diversas vezes ao meu antigo hábito de fumar; pois bem: segundo soube, houve alguém que teve o capricho e a paciência de contar o número de vezes que fiz menção ao tabaco, para chegar à conclusão de que não sou um Espírito Superior... (217)
Sim, eu contei e publiquei suas 25 referências ao hábito de fumar, relatadas até com certo ar de vitória, sem, nem uma única vez, falar dos danos causados pelo uso do tabaco. Na obra “Obsessão e Cura”, refere-se, igualmente, 12 vezes, tendo, à pág. 178, declarado estar fumando durante uma prece a Jesus.
— Essa história de ter sido médium 40, 50 anos, de ter feito inúmeras palestras, de ter escrito dezenas de livros ou artigos em jornais e revistas, de nunca ter perdido a pose... (219)
Sempre atacando os espíritas... 
O Pensamento Vivo do Dr. Inácio 
E para que eu não continue sentindo falta de ser eu mesmo nestas palavras, deem uma banana para o resto! (23)
Será que ele falaria isso ante a venerável figura de Bezerra de Menezes?
– Domingas, precisamos acabar com essa falsidade... Eu nunca empreguei palavrões em meus escritos!
Esse pessoal precisa deixar de me encher a bolsa escrotal!...
–“Bolsa escrotal”, não é um termo chulo, Doutor?
– Convém perguntar a Deus, que a fez, você não acha? Que termo você sugeriria, quando tivesse que se referir ao órgão genital, masculino ou feminino!?... (233)
Seria necessário comentar isso? 
Por Amor ao Ideal 
— Vamos, quem é o macho que vai se denunciar?... Quero esfolá-lo vivo! Aqui ninguém é pago para cochilar no serviço. Se não aparecer o culpado, vou escolher qualquer um e demiti-lo. (40)
Nesse livro, pretende fazer um relato, enquanto encarnado, de sua vida como diretor do hospital espírita de Uberaba...
Lendo-se a biografia do Dr. Inácio Ferreira, constata-se que essa postura é mentirosa.
— Vai-se ver, Doutor, que na outra encarnação... – intrometeu-se uma morena redonda, das melhores cozinheiras que já passaram pelo Sanatório.
— Cuide de suas panelas... Como é que pode ir adiante um hospital de loucos em que até a cozinheira dá palpites? Que outra encarnação, que nada!... É a primeira vez que estou vivendo no meio dessa corja – primeira e última, se Deus quiser.
A morena sorriu e caminhou requebrando com sua pesada traseira, não dando a mínima para o que eu havia falado. (42)
Esse Espírito fascinador faz tudo para mostrar que o Dr. Inácio já era desequilibrado quando encarnado.
Porém, profanando o ambiente, eu não resisti. Antes de me levantar e ir embora, aproximei os lábios de seu estúpido conduto auditivo e sussurrei-lhe, pausadamente, certos termos chulos que quase todo menino da rua sabe dizer! O homem arregalou os olhos, as suas faces ficaram congestas e eu pensei que, ao invés de um, teríamos dois cadáveres expostos no salão... (91)
Nota-se, em todo o livro, o desejo de mostrar que o Dr. Inácio sempre foi grosseiro como ele é pintado agora.
O meu misterioso paciente estava de volta... Chegou à minha casa num sábado à tarde, num desses sábados sem luminosidade, com excesso de nuvens escuras no firmamento. Havia vários meses que eu não o via. (261)
— Tem obras publicadas?
— Alguns ensaios apenas; nada que tenha repercutido...
— E o seu sotaque?
— Eu já preciso ir, Doutor — levantou-se, sem me responder.
— Mandarei, depois, o dinheiro da consulta... (273)
No entanto, quando abri o livreto, quase caí de costas: um retrato a bico-de-pena, feito com tinta nanquim, era a reprodução exata do rosto do meu paciente!... “E. A. Poe” – dizia o pequeno texto —, morto em 1918, vitimado por alcoolismo. Contista e poeta norte-americano que, infelizmente, nos deixou tão cedo — aos 39 anos de idade.” (275/6)
Este, talvez o relato mais absurdo do livro, em que esse Espírito menospreza a capacidade de o leitor analisar: como é que um médico, principalmente um psiquiatra, recebe um cliente em consulta sem saber-lhe o nome? Mais tarde, fica sabendo que conversara com Edgar Alan Poe, desencarnado há 140 anos. No livro, há um erro de data, pois ali é afirmado que a desencarnação ocorrera em l918.
O que vou lhes dizer em seguida – caros leitores –, ficará a critério de vocês aceitarem ou não. Devo ser fiel à verdade dos fatos.
Prosseguindo pela voz da médium, o célebre criador do romance policial contou:
— Observando-me as tentativas frustradas de contactá-lo, um desconhecido me orientou:
— “Por que você não se materializa? Não é tão difícil assim... É só conseguir ectoplasma...”
— Ora – explicou a entidade –, eu jamais havia ouvido falar em ectoplasma... “Que substância é esta?” –
perguntei sem me dar conta, como das vezes anteriores, do idioma em que eu estava me expressando: eu pensava em inglês e ele entendia em português, exatamente, Doutor, como está acontecendo agora.
— “Ectoplasma – respondeu-me – é fluido animal; se você conseguir quantidade suficiente para se revestir,
poderá tornar-se visível...”
— De que maneira obtê-lo? – quis saber, curioso.
— “Através de um doador vivo ou... morto.”
— Morto? – questionei, duvidando que aquela história toda fosse verdade.
—“Sim, no cemitério...”
— Poderei encontrar tal substância materializante no cemitério?
—“Não nos corpos em adiantado estado de decomposição, mas nos que morreram recentes...”
— E o que devo fazer?
—“Mentalize, plasme-se...” falou o espírito, que se retirou.
— Quase a desanimar (Poe deu seqüência à inusitada narrativa), localizei o cemitério e me pus a esperar um enterro. Foi difícil, pois não me consentiam me aproximar de certos cadáveres... Algumas entidades que não falavam comigo dispersavam uma matéria brilhante na atmosfera e os cadáveres ficavam vazios. “Aquilo é o ectoplasma” – pensei. Depois disso, um enterro com quase nenhum acompanhamento chegou ao cemitério... O corpo inanimado era o de um homem que, bêbedo, havia caído de um andaime; espessa substância leitosa ainda lhe escapava abundante, dos orifícios e, inclusive, dos poros, a praticamente envolver-lhe toda a forma física... Dele, curiosamente, eu pude me aproximar sem qualquer embaraço e, após o seu corpo ter descido à cova rasa, postei-me ao seu lado e, com as mãos, comecei a me cobrir com aquele tecido gaseificado... O meu desespero era tamanho, Doutor, que eu o introduzia na boca, eu o inalava através das narinas, como se eu fosse um paciente hospitalizado recebendo uma transfusão de sangue...
— Aos poucos, sem que eu pudesse explicar o fenômeno – prosseguiu dizendo –, fui tomando forma humana, ou melhor, retomando-a... Era interessante observar. Felizmente, não havia ninguém por perto... A imagem que eu conservava de mim era tão forte em minha mente, que, devagar, fui reconstituindo, com a força do pensamento, detalhe a detalhe, inclusive a própria indumentária – aquela que, de hábito, eu envergava em meus derradeiros dias no corpo quando, infelizmente, tombei vítima do alcoolismo. Quando a metamorfose se completou, a minha primeira iniciativa foi a de procurar um espelho – eu queria me ver... Saí do túmulo no qual praticamente me encontrava mergulhado e, percebendo um carro estacionado à porta do campo santo, me fitei no seu retrovisor externo – era eu, sem tirar nem pôr! De imediato, acudiu-me uma idéia à cabeça: – Que bom seria, se eu pudesse, sempre me conservar assim: este corpo certamente não adoece e... não morre, não estando sujeito às vicissitudes do corpo feito de carne... De certa maneira, inclusive, eu me remoçara e aquelas indisposições orgânicas haviam desaparecido.
A narrativa de Poe me surpreendia; eu nunca havia lido nada parecido a respeito na extensa bibliografia espírita especializada. (282/6)
Nem poderia ter lido, pois se trata de ficção da pior espécie! Para constatar a falácia desse “conto”, é só consultar o livro “Missionários da Luz”, cap. 10, onde há uma descrição minuciosa do preparo de uma reunião destinada à materialização de um Espírito. Essa operação envolveu, dentre outros, a cooperação de vinte entidades de nobre hierarquia. 
Reencarnação No Mundo Espiritual
– É uma honra, Doutor, é uma alegria trabalhar ao seu lado!
– Não puxe, não, hem?, que arrebenta... (130) – A situação, às vezes, é vexaminosa... A gente se descompõe, não é?
– E tem que rezar muito, Longino, para não fazer besteira...
– Eu sei: dizer palavrão, tirar a roupa...
– Para mostrar o quê? Se bem que, agora, com o Viagra, a gente reage...
O meu interlocutor gargalhou.
– Impagável, Doutor! Veja se esta é conversa de dois espíritas, no Além?!
– De dois espíritas normais, é! (134)
Seria necessário comentar esses diálogos? Relato num livro espírita ou na mesa de um bar?
– De quando em quando, faço questão de visitar a Terra, apenas para ver como estão aqueles que, quando eu tinha 80, estavam com os seus 30, 40 de idade... Se não se cuidarem, não chegarão à minha marca, com os cigarros que fumei a vida inteira! Alguns estão irreconhecíveis, com as rugas que têm no rosto contando das lutas que enfrentam na vida. Coitados! E eu, neste Outro Lado, remoçado e forte, simpático como sempre fui, tendo de me esconder do assédio da mulherada...
(141)
Modo muito grosseiro de se referir a mulheres, talvez própria da mesa de um bar, mas não de um local no Mundo Espiritual organizado no Bem. Ou no Umbral?
A correspondência sobre uma de minhas mesas se acumulava. Missivistas da Terra e do Além me escreviam, expondo suas dúvidas sobre os mais variados assuntos: perguntas sobre temas da Doutrina, questões pessoais, indagações sobre mediunidade, pedidos de intercessão em favor de um ente querido desencarnado, palavras de estímulo e coragem ao trabalho que estamos desenvolvendo... (148)
Confiando tanto na incapacidade de o leitor analisar, nem tenta explicar como uma carta escrita na Terra chegara à sua mesa de trabalho, nem como a resposta seria enviada... É fazer muito pouco do conhecimento doutrinário, ou mesmo da capacidade mental do leitor... 
Trabalhadores da Última Hora 
As Trevas, se assim posso me expressar, consentiram que o Cristo pregasse a Boa Nova em seu reduto, que era a Terra, desde que, por fim, triunfassem permanentemente. (279) (Grifei)
As Trevas deram consentimento? Estão na direção do Planeta? Essa é a tese dos “Testemunhas de Jeová”, que distribuem um folheto colorido, declarando que Satanás é quem governa o Mundo.
Tio, o senhor benze? O vovô está acamado... o senhor benze? É claro, vamos vê-lo – respondeu.
A mamãe – disse um garotinho, sem camisa –, com o remédio que o senhor lhe deu, já melhorou da dor de cabeça... O senhor trouxe mais?
Essa, uma conversa que o “Dr. Inácio” teria tido com Espíritos desencarnados, residentes na colônia onde ele se encontra. Lá ele distribui remédios, benze, cura dor de cabeça...
Como vai o nosso Morubixaba?
Patuwa não diz, mas sabe que ele está perto de morrer de novo... Não diga nada a ninguém. O Pajé branco já sabe... Não quero tristeza na pequena tribo. Quando Patuwa” morrer”, vou dar meu corpo a você...
– A mim?! – perguntei com espanto.
– Entenda bem, para você estudar. Quero que você o abra, veja o que tem dentro e escreva para a Terra contando o que viu.
– Mas eu não sou cirurgião! – aleguei – Eu sou psiquiatra! Não sei mais dissecar um corpo... (67/68)
O morubixaba dá ordens ao “Dr. Inácio”! O índio estava tuberculoso, no Mundo Espiritual. Previa sua “morte” e doava seu perispírito para o “Dr. Inácio”, determinando o que dele deveria ser feito...
– Melhorando – respondeu com uma piscadela. – A febre, no entanto, vai e volta. (58)
A febre no perispírito, que tosse, escarra sangue...
– A febre está voltando cada vez mais forte – disse ele com tranquilidade. – Deixarei a carcaça na Lua Nova – previu com voz entrecortada. (71)
O morubixaba acabou “desperispiritizando”. Não se pode dizer que desencarnara, pois não estava encarnado... Esse Espírito fascinador louva, endeusa o Chico, mas trabalha no sentido de desmentir-lhe a obra.
8
São Francisco de Assis, em certas ocasiões, chegava a rolar sobre espinheiros, flagelando-se de maneira voluntária, para não oferecer sintonia aos espíritos que o tentavam! (78)
Referência a um livro psicografado por João Nunes Maia, onde há a afirmativa que Francisco de Assis, para fugir à tentação do sexo, lançava-se sobre espinheiros, ferindo sua genitália. Se Francisco de Assis precisava fazer isso, onde estava a sua força mental? 
O Pensamento vivo do Dr. Inácio 
– Domingas, precisamos acabar com essa falsidade... Eu nunca empreguei palavrões em meus escritos!
Esse pessoal precisa deixar de me encher a bolsa escrotal!...
–“Bolsa escrotal”, não é um termo chulo, Doutor?
– Convém perguntar a Deus, que a fez, você não acha? Que termo você sugeriria, quando tivesse que se referir ao órgão genital, masculino ou feminino!?... (233)
Grosseria que dispensa comentários...
A turma que, em maioria, renasce por aqui e nas dimensões subjacentes é através do sexo mesmo!
A turma copula! Você falou em orgias e em número excessivo de gravidez, como se os métodos contraceptivos existissem apenas entre os encarnados... Não!
Eu não sei em que livro está – é um dos que Ranieri escreveu –, mas, certa vez, conversando à boca pequena com o médium e profeta Chico Xavier, disse que, daqui a uns 200 anos, a Ciência irá construir um grande útero e, então, a mulher será liberada da gravidez! Mas, segundo ele, o espírito reencarnaria direitinho... Não parece coisa de ficção?! (20).
Pobre Chico! Depois de uma vida dedicada ao Bem, ter sua memória profanada dessa forma! Ranieri escreveu, dentre outros, “O Abismo” e “Sexo além da Morte”. Foram os precursores dessa obra nefasta do Dr. Inácio e de outros.
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
A seguir, volta a bater na tecla da reencarnação no Mundo Espiritual:
– O que vocês diriam se aqui, no Mundo Espiritual, os homens pudessem se relacionar sexualmente, como se relacionam, sem função reprodutora?
Virando-me na direção de Rodrigo, interroguei:
– Você sabe de algum de seus colegas, ou você mesmo, que não faça sexo por aqui?
– Não, Doutor, não me peça nomes. Mas não sei de ninguém – descontraiu-se o inteligente rapaz, levando os colegas a sorrir. (255)
Parece até que alguém, no contexto, tem problemas sérios no campo sexual, tantas são as referências... 
Estudando Nosso Lar 
– Cavalos e cães que, além de comer, fazem sexo...
– Eu sabia que o senhor chegaria aí! – comentou Domingas. (254)
A seguir, volta a bater na tecla da reencarnação no Mundo Espiritual:
– O que vocês diriam se aqui, no Mundo Espiritual, os homens pudessem se relacionar sexualmente, como se relacionam, sem função reprodutora?
Virando-me na direção de Rodrigo, interroguei:
– Você sabe de algum de seus colegas, ou você mesmo, que não faça sexo por aqui?
– Não, Doutor, não me peça nomes. Mas não sei de ninguém – descontraiu-se o inteligente rapaz, levando os colegas a sorrir. (255)
O “Dr. Inácio”, em várias ocasiões, afirma que os espíritas não estudam. Para contestar suas obras não há necessidade de estudo doutrinário. Qualquer pessoa que tenha noção de ética, de boas maneiras, até mesmo de educação, tem perfeitas condições de repudiar esses escritos, vazados em termos irreverentes, grosseiros, agressivos, chulos, totalmente incompatíveis com a maneira de se expressar de qualquer pessoa medianamente educada.
Estas e outras análises completas poderão ser obtidas pelo email:
 
O Espiritista