Em se tratando de reforma íntima:

“Fácil é dizer como se faz. Difícil é fazer como se diz. Precisamos fazer mais e dizer menos.

Francisco Rebouças.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Parábolas

Parábola do joio e do trigo


“O reino dos céus — disse o Cristo — é semelhante a. um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto os servos dormiam, veio um inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e retirou-se.

Quando a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio.

Chegando os servos ao dono do campo, disseram-lhe:

— Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? donde, pois, vem o joio?

E ele lhes disse:

- Homem inimigo é que fêz isso.

Os servos continuaram:

- Queres, então, que o arranquemos?

— Não — respondeu ele —, para que não suceda que, tirando o joio, arranqueis juntamente com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros:

- Ajuntai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar, mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (Mat. 13:24-30)

A significação dessa parábola parece-nos de uma nitidez meridiana.

O campo somos nós, a Humanidade; o semeador é Jesus; a semente de trigo — o Evangelho; a erva má — as interpretações capelosas de seus textos; e o inimigo — aqueles que as têm lançado de permeio com a lídima doutrina cristã.

Mas o Divino Mestre fizera a boa semeadura, pregando e exemplificando o amor entre os homens, como condição indispensável ao advento de um clima de entendimento fraterno no mundo, eis que os supostos herdeiros de seu apostolado, açulados pelo egoísmo e pelo orgulho, começam a criar questiúnculas e diasensões.

A Religião do Bem, objeto de sua missão terrena, de uma simplicidade incomparável, fragmenta-se em dezenas de religiões mais ou menos aparatosas, com sacerdócio organizado, sustentando dogmas ininteligíveis, preconizando e mantendo cultos pagãos, exterioridades grotescas...

Surgem facções e subfacções, incriminando-se reciprocamente de heréticas, heterodoxas, etc., e as que se tornam mais poderosas procuram eliminar as outras, afogando-as em sangue, aniquilando-as nas torturas e nas chamas das fogueiras..

E assim, em nome daquele que fora a personificação da tolerância, da bondade e da doçura, séculos pós séculos a discórdia lavra pela Terra, os filhos do mesmo Deus empenham-se em lutas fratricidas, e milhares de vítimas sucumbem, aos golpes da mais estúpida e feroz odiosidade que há incendiado os corações humanos!

Como pôde esse joio nascer e crescer de mistura com o bom trigo? E’ que, segundo a palavra de Jesus, os servos “dormiram”, isto é, deixaram de “orar e vigiar”, permitindo, assim, que o erro ganhasse raízes.

Contemplando essa confusão religiosa, muitos se admiram de que a Providência não na tenha eliminado do globo. Esse dia, entretanto, chegará.

O joio, ao brotar, é muito parecido com o trigo e arrancá-lo antes de estar bem crescido seria inconveniente, por motivos óbvios. Na hora da produção dos frutos, em que será perfeita a distinção entre ambos, já não haverá perigo de equívoco: será ele, então, atado em feixes para ser queimado.

Coisa semelhante irá ocorrer com a Humanidade.

Aproxima-se a época em que a Terra deve passar por profundas modificações, física e socialmente, a fim de transformar-se num mundo regenerador, mais pacífico e, consequentemente, mais feliz.

Quando os tempos forem chegados, todos os sistemas religiosos, que se hajam revelado intolerantes e opressores, cairão reduzidos a. nada, e todos quantos não se afinem, com a nova ordem de coisas, conhecerão o “fogo” da expiação em mundos inferiores, mais de conformidade com o caráter de cada um.

Por outro lado, as almas avessas à guerra, à maldade, ao despotismo, enfim a tudo quanto tem impedido o estabelecimento da fraternidade cristã entre os homens de todas as pátrias e de todas as raças, estas hão-de merecer o futuro lar terrestre, higienizado em sua aura astral e equilibrado em suas condições climáticas, gozando, finalmente, a paz, a doce e alegre paz, de há muito prometida às criaturas de boa vontade.

Livro: Parábolas Evangélicas
Rodolfo Calligaris
 
Francisco Rebouças