Em se tratando de reforma íntima:

“Fácil é dizer como se faz. Difícil é fazer como se diz. Precisamos fazer mais e dizer menos.

Francisco Rebouças.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Pendências

O ser humano, por instinto, é extremamente agressivo e, quando mascara esse seu quadro de violência, tentando esconder essa força negativa que prepondera em si, cai em mecanismos de fuga, de depressão, de angústia, de amargura etc; esse estado de inferioridade é parte da herança que acumulou nos estágios inferiores da evolução, quando só se importava com as conquistas fugidias dos valores materiais, e hoje, ao perceber que não lhe satisfazem mais aos anseios de crescimento, como ser eterno destinado à perfeição, modifica-se imediatamente e busca canalizar esforços na a aquisição dos valores morais, intelectuais, artísticos, ou profissionais, que o elevarão na escada do progresso, aos quais não dava até então qualquer importância em possuí-los.

Com o advento da conquista da razão pelo ser espiritual, no estado hominal, com a bênção da conquista do livre arbítrio, pode então ele, promover a transformação da agressividade, procurando consolidar em si a predominância da natureza espiritual, com a conseqüente diminuição da natureza animal que sempre preponderou absoluta em seu interior, desde os longínquos tempos de sua criação.

Quando o indivíduo não consegue ou não deseja modificar-se, para melhorar seu comportamento visando adquirir equilíbrio e progresso moral; aciona em seu psiquismo a equivocada forma de litígio como auto-satisfação, na exaltação do ego, fazendo-se contundente, invejoso, ciumento, dificultando o progresso natural de sua própria evolução.

Há momentos para aclaramentos, discussões, disputas, e até debates acirrados onde cada um defenda com veemência seu ponto de vista, desde que em níveis elevados na maneira de se discordar; mas não a toda hora e por qualquer motivo, sem que se busque antes o diálogo como meio de encontrar uma solução pacífica e de consenso geral, visto que não somos os únicos donos da verdade.

Por tanto, tem cuidado contigo! Deixa que cresça em ti e te inundem as energias divinas, sê pacífico, tolerante, calmo, equilibrado, afim de que superes sempre a tentação de contender ou de te abateres com as tentações dos perseguidores contumazes do debate e da discórdia, que são verdadeiramente os litigantes da inutilidade e promotores da balbúrdia, da discórdia e da desunião.

Transformar tua discordância em motivo de litígio, é simplesmente injustificável, pois os que assim procedem ainda não se preocuparam em iniciar o combate à inferioridade moral do homem velho que deve ser erradicado definitivamente do nosso SER, para nascimento e crescimento do homem novo, renovado nos princípios do evangelho redentor.
JFCR.

O Grande Desafio

O hálito divino, emanação do Pai criador, a tudo penetra suavemente, enriquecendo de vitalidade todos os organismos que o recebem, renovando as energias desequilibradas, para harmonia do ser.

Quando alguém se afasta emocionalmente, para as perigosas áreas da perturbação, das discussões inúteis, das competições do ego, do aviltamento da vaidade, deixa de receber seu tônus, passando assim a produzir toxinas venenosas que desarmonizam os delicados equipamentos da extraordinária máquina orgânica com que Deus nos equipou para nosso engrandecimento e crescimento como criação da Inteligência Suprema, Causa primária de todas as coisas.

Nunca nos faltarão motivos para disputas acirradas, discussões homéricas, discordâncias estéreis, de resultado perturbador e de conseqüências funestas se não soubermos nos esquivar com humildade e sabedoria, evitando perder a classe para nos deixar envolver no tumulto das gritarias e na confusão dos ânimos exaltados.

A inteligência, a serviço das boas resoluções nos ajuda a fazer uso da sabedoria dos que conseguem se elevar acima das mesquinharias da vaidade presunçosa, não os deixando contaminar pelas puerilidades que intoxicam e matam, saber empregá-la, eis o grande desafio.

Envolver-se com querelas de baixo nível, para justificar-se, explicar-se, impor-se, ou responder críticas negativas, constitui recurso daninho, que logo se constituirá em desconcerto interior, levando o indivíduo ao desenvolvimento de patologias diversas.

A consciência tranqüila que a ação correta proporciona, não o deixa envolver-se pela anarquia, e pela perseguição gratuita dos inimigos da paz e da harmonia, mantendo-o em constante contato equilibrado com as energias saudáveis do hálito divino, fortalecendo-o ante os debatedores contumazes.

Procura, por todas as possibilidades que te surjam no caminho, evitar as contendas injustificáveis, buscando sempre ser pacífico e ajudar a pacificar os teus oponentes com tua compreensão, ternura, mansuetude, respondendo as agressividades descabidas com tua calma haurida na sublime sintonia com as forças renovadoras e vitalizadoras do Bem, fonte de água límpida, capaz de te proporcionar saúde e paz.

JFCR.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Estudos doutrinários - O Espiritista

Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra sem esperança de cura?


– Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?

Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até à borda do fosso, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar idéias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?

Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.

O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. — São Luís. (Paris, 1860.)

Fonte:

O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 28.

JFCR.

A Necessidade de análise das comunicações

Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas, sabe-se hoje que nem todos os Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentem sob falsas aparências, o que levou S. João a dizer: «Não acrediteis em todos os Espíritos; vede antes se os Espíritos são de Deus.» (Epíst. 1ª, cap. IV, v. 4.)

Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.

É assim que a lei do Decálogo tem todos os caracteres de sua origem, enquanto que as outras leis moisaicas, fundamentalmente transitórias, muitas vezes em contradição com a lei do Sinai, são obra pessoal e política do legislador hebreu.

Com o abrandarem-se os costumes do povo, essas leis por si mesmas caíram em desuso, ao passo que o Decálogo ficou sempre de pé, como farol da Humanidade. O Cristo fez dele a base do seu edifício, abolindo as outras leis.

Se estas fossem obra de Deus, seriam conservadas intactas. O Cristo e Moisés foram os dois grandes reveladores que mudaram a face ao mundo e nisso está a prova da sua missão divina. Uma obra puramente humana careceria de tal poder.

Fonte:
A Gênese
Cap. I - Caráter da Revelação Espírita, item 10.
Grifos nossos.

JFCR.

Amargura

Na Seara do Senhor, não há lugar para ociosos e descontentes, o trabalho com Jesus é motivo de júbilo e alegria que motiva e enaltece aquele que a ele se entrega com reais interesses de servir ao Mestre dos Mestres na propagação do amor em forma de caridade a quem quer que necessite.

A mágoa, muitas das vezes traduz desconfiança e deslealdade, impelindo aquele que a possui a profundas amarguras que o consome e perturba, pois o amargurado é um ser descontente consigo mesmo e com a vida.

O coração operoso e confiante não perde o otimismo e, seu portador é sempre uma pessoa alegre e bem humorada, pois sabe que é criação de Deus, portanto de duração eterna.

Enfrenta as dificuldades e os problemas que lhes surgem na caminhada de ser humano em busca de progresso intelectual, moral e espiritual, com a certeza de que conseguirá vencer cada etapa de cabeça erguida, fazendo o que lhe compete fazer e confiando na providência Divina aquilo que dele não depende.

Prossigamos, pois, em serviço na lavoura do bem, convictos de que os problemas que não soubermos como resolver, o Mestre Divino mostrar-nos-á a solução.

Se surgirem sombras, enevoando nossa estrada, busquemos acender a chama viva de Luz do Evangelho de Jesus, e as sombras se dissolverão como que por encanto, pois a sombra nada mais é que ausência de Luz, que chegando, aclara o ambiente antes escuro, como a maldade nada mais é que a ignorância em ação, que cessa com o esclarecimento; como nos asseverou Jesus “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” - João 8:32.

Somos ainda passíveis de quedas, mas é preciso lembrar que o reerguimento deve ser imediato, e que para isso contamos com a ajuda de nossos Guias Espirituais, de nosso Anjo da Guarda, e dos Bons Espíritos que estão sempre atentos e dispostos a auxiliar os que tropeçam nos obstáculos do caminho.

Precisamos entender o quanto antes, que para que tenhamos êxito em qualquer atividade que exerçamos na Seara do Senhor, é imprescindível que combatamos incessantemente e com disposição as raízes de amargura que por ventura trouxermos em nosso coração, visto que se deixarmos brotarem livremente sem oferecermos resistência alguma, tornar-se-ão venenosos arbustos, a prejudicar nossa intenção de crescer em moralidade em direção ao estado de perfeição a que estamos todos fadados.

Faz-se urgente, dedicarmo-nos na destruição da amargura injustificável dentro de nós, para que não perturbemos e nem prejudiquemos a obra que o Mestre nos confiou, na lavoura do amor e da caridade, para o nosso bem e de toda a humanidade.
JFCR.

Convite da Luz

Neste momento em que a sombra desacata os que se esforçam na busca da claridade, ensejando-lhes pensamentos de desistência, de desânimo, em constante perseguição por fazer-lhes desistir, do ideal de esclarecimento e progresso à caminho da perfeição, vimos convidar os amigos de boa vontade, que laboram com os sinceros propósitos de renovação do nosso planeta, a começar por desenvolver em si mesmos os seguintes requisitos que muito lhes ajudarão a conseguir o tão desejado intento.

1) Dedicar-se com esmero e entusiasmo, ao primeiro de todos os passos que devemos observar que é o auto-conhecimento, e a disposição de melhorar-se;
2) Aproveitar cada hora disponível para semear no campo do espírito a semente de fraternidade, bondade, amizade, em volta de seus passos;
3) Não deixar de fazer constantemente uma profunda meditação, sobre seus atos do dia anterior, buscando melhorá-los a cada novo amanhecer;
4) Lutar sem esmorecimento, no combate aos desafios de burilamento indispensável a quem quer crescer moral e espiritualmente;
5) Sentir-se sempre estimulado a impulsionar seus propósitos para as coisas do espírito, visando diminuir seus apegos aos bens da matéria perecível;
6) Buscar empreender sua parcela na posição de co-criador responsável pela ajuda no progresso de seu semelhante, pois para isso fomos criados;
7) Evitar escandalizar-se com os nefastos acontecimentos divulgados pela imprensa sensacionalista, procurando ver em tudo motivo para seu crescimento tirando dos fatos as lições de experiência, com que buscará se fortalecer e evitar cair também nas teias do mal.

Ao aceitar este convite dos amigos da Luz, enviados a todos nós nas inúmeras mensagens, contidas nos milhares livros de leitura sadia, que a doutrina espírita nos oferece, encontraremos, com absoluta certeza, a companhia e a ajuda dos prepostos do Mestre de Nazaré, nos incentivando a enfrentar com otimismo e esperança as rudezas da estrada evolutiva, candidatando-nos a encontrar a nossa paz interior, e a sermos por nossa vez, mensageiros confiáveis da mensagem sublime, trazida pelo Consolador a tantos outros corações desiludidos, desesperançados, desanimados, perdidos nas ilusões do materialismo, de ambos os planos da vida, que pululam em volta de nós, e que de alguma forma estamos convocados a ajudar.

Que não nos falte em momento algum a sincera disposição de crescer em direção às sublimes paragens da espiritualidade Maior, pois esta é a destinação de todos nós, precisando apenas que procuremos envidar esforços na antecipação desse nosso estado de plenitude.
JFCR.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Estudos doutrinários - O Espiritista

MÉDIUNS CURADORES.

Um oficial de caçadores, Espírita de longa data, e um dos numerosos exemplos das reformas morais que o Espiritismo pode operar, nos transmite os detalhes seguintes: "Caro mestre, aproveitamos nossas longas horas de inverno para nos entregar com ardor ao desenvolvimento de nossas faculdades medianímicas. A tríade do 4Ç caçador, sempre unida, sempre vivente, se inspira de seus deveres, e ensaia novos esforços. Sem dúvida, desejais conhecer o objeto de nossos trabalhos, a fim de saber se o campo que cultivamos não é estéril. Disso podereis julgar pelos detalhes seguintes. Há alguns meses nossos trabalhos têm por objetivo o estudo dos fluidos; esse estudo desenvolveu em nós a mediunidade curadora; também, aplicamo-la agora com sucesso. Há alguns dias, uma simples emissão fluídica de cinco minutos com minha mão, bastou para tirar uma nevralgia violenta.

"Madame P... estava afetada, há vinte e oito anos, de uma hiperestesia aguda ou sensibilidade exagerada da pele, enfermidade que a retinha em seu quarto há quinze anos.
Ela mora numa pequena cidade vizinha, e, tendo ouvido falar de nosso grupo, veio procurar alívio junto a nós. Ao cabo de trinta e cinco dias, voltou completamente curada.
Durante esse tempo, recebeu cada dia um quarto de hora de emissão fluídica, com o concurso de nossos guias espirituais.

"Dávamos, ao mesmo tempo, nossos cuidados a um epiléptico, atingido por essa terrível enfermidade há vinte e sete anos. As crises se renovavam quase cada noite, e cada vez sua mãe passava longas horas à sua cabeceira. Trinta e cinco dias bastaram para essa cura importante, e que estava feliz, essa mãe, acompanhando seu filho radicalmente curado! Nós revezávamos, todos os três, de oito dias em oito dias, para a emissão fluídica, colocávamos a mão, ora sobre a cavidade do estômago do enfermo, ora sobre a nuca, no início do pescoço. Cada dia o enfermo podia constatar uma melhora; nós mesmos, depois da evocação e durante o recolhimento, sentíamos o fluido exterior nos invadir, passar em nós, e escapar-se de nossos dedos alongados e de nosso braço estendido para o corpo do sujeito que tratávamos.

"Dávamos nesse momento nossos cuidados a um segundo epiléptico; desta vez, a enfermidade seria talvez mais rebelde, uma vez que é hereditária. O pai deixou, aos seus quatro filhos, o germe dessa afecção; enfim, com a ajuda de Deus e dos bons Espíritos, esperamos reduzi-la em todos os quatro.

"Caro mestre, reclamamos o socorro de vossas preces e as de nossos irmãos de Paris. Esse socorro será para nós um encorajamento e um estímulo aos nossos esforços.
Depois, vossos bons Espíritos podem vir em nossa ajuda, tornar o tratamento mais salutar e abreviar-lhe a duração.

"Não aceitamos por toda recompensa, como bem o pensais, e ela deve ser suficiente, senão a satisfação de ter feito nosso dever e de ter obedecido ao impulso dos bons Espíritos. O verdadeiro amor ao próximo carrega consigo uma alegria sem mistura, e deixa em nós alguma coisa de luminosa, que encanta e que eleva a alma. Também procuramos, tanto quanto nossas imperfeições no-lo permitem, nos compenetrar dos deveres do verdadeiro Espírita, que não devem ser senão a aplicação dos preceitos evangélicos.

"O Sr. G... de L... deve nos conduzir seu cunhado, que um Espírito malfazejo subjuga há dois anos. Nosso guia espiritual Lamennais nos encarrega do tratamento dessa obsessão rebelde. Deus nos daria também o poder de expulsar os demônios? Se assim for, não teríamos senão que nos humilhar diante de um tão grande favor, em lugar de nos orgulharmos. Quanto maior ainda não seria para nós a obrigação de nos melhorar, para disso testemunhar-lhe nosso reconhecimento e para não perder dons tão preciosos?"
Essa interessante carta, tendo sido lida na Sociedade Espírita de Paris, na sua sessão de 18 de dezembro de 1863, um dos nossos bons médiuns obteve espontaneamente, a esse respeito, as duas comunicações seguintes:

"A vontade, existindo no homem em diferentes graus de desenvolvimento, serviu, em todas as épocas, seja para curar, seja para aliviar. É lamentável ser obrigado a constatar que ela foi também a fonte de muitos males, mas é uma das conseqüências do abuso que, freqüentemente, o ser faz de seu livre arbítrio. A vontade desenvolve o fluido seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários gêneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.

"A vontade foi, freqüentemente, mal compreendida; em geral aquele que magnetiza não pensa senão em desdobrar sua força fluídica, senão em derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido a seus cuidados, sem se ocupar se há ou não uma Providência que nisso se interessa tanto e mais do que ele; agindo só, não pode obter senão o que sua única força pode produzir; ao passo que nossos médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus, e para reconhecer que, por eles mesmos, não podem nada; fazem, por isso mesmo, um ato de humildade, de abnegação; então, confessando-se muito fracos por si mesmos, Deus, em sua solicitude, lhes envia poderosos recursos que não pode obter o primeiro, uma vez que se julga suficiente para a obra empreendida. Deus recompensa sempre a humildade sincera elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.

Esse recurso que envia, são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, que este transmite ao enfermo. Também é por isso que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão poderoso e produz essas curas qualificadas de miraculosas, e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; ao passo que o magnetizador comum se esgota, freqüentemente, em vão, em fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela única imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos; mas esse concurso não é concedido senão à fé sincera e à pureza de intenção."
MESMER (Médium, Sr. Albert).

"Uma palavra sobre os médiuns curadores, dos quais vindes de falar; estão todos nas disposições mais louváveis; têm a fé que ergue as montanhas, o desinteresse que purifica os atos da vida, a humildade que os santifica. Que perseverem na obra de beneficência, que empreenderam; que se recordem bem que aquele que pratica as leis sagradas que o Espiritismo ensina, se aproxima constantemente do Criador. Que, quando empregam sua faculdade, a prece, que é a vontade mais forte, seja sempre seu guia, seu ponto de apoio. O Cristo vos deu, em toda a sua existência, a prova mais irrecusável da vontade mais firme, mas era a vontade do bem e não a do orgulho. Quando dizia às vezes:

Eu quero, essa palavra estava cheia de unção; seus apóstolos, que o cercavam, sentiam seus corações se abrirem a essa santa palavra. A doçura constante do Cristo, sua submissão à vontade de seu Pai, sua perfeita abnegação, são os mais belos modelos de vontade que se possa propor para exemplo."
PAULO, apóstolo (Médium, Sr. Albert).

Fonte:
Revista Espírita , dezembro 1863.
Grifos nossos.
JFCR.

A Responsabilidade dos pais na evangelização espírita infantil


“Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais, porque delas é o reino de Deus” - Lucas, Cap. 18: v 16.

É, de fundamental importância, que nós pais espíritas, nos conscientizemos de que a evangelização infantil não pode ser negligenciada por nenhum de nós, sob pena de sermos responsabilizados quando da nossa volta ao plano espiritual, pelo desvirtuamento desses seus pequeninos e queridos filhos, que o Pai Criador confiou seus destinos sob nossa responsabilidade.

Sabemos que, pais de outras filosofias religiosas, como por exemplo, os irmãos católicos, fazem absoluta questão de terem seus filhos batizados na igreja que pertençam, que façam a primeira comunhão, que confessem, que tomem a hóstia sagrada etc. etc, e por essa razão desde cedo já os encaminham para as aulas de catecismo em que aprenderão a filosofia praticada por seus pais; da mesma forma, os pais consagrados à filosofia protestante, os chamados “evangélicos”, não se descuidam da freqüência assídua dos seus filhos aos templos religiosos de que fazem parte, zelando desde cedo pela orientação religiosa dos seus pequeninos, para que se tornem futuros defensores e divulgadores da filosofia que praticam, e assim por diante.

Enquanto isso, os pais espíritas, inexplicavelmente, adotam um pensamento que particularmente não aceitamos, pois, costumam dizer, que assim como se tornaram espíritas, em sua grande maioria depois de adultos, também deixarão que seus filhos escolham suas opções religiosas depois de crescidos; do que discordamos inteiramente. Constatamos com muita freqüência e tristeza que até mesmo muitos dos amigos que se dizem espíritas e que levam seus filhos para serem evangelizados nas casas espíritas que freqüentam, não sabem dizer se este é ou não o melhor caminho para elas, (as crianças), demonstrando por essa simples dúvida, que na realidade ainda não são verdadeiramente espíritas.

Muitos deles, ainda não se desvincularam das diretrizes seguidas por seus familiares, e por se verem pressionados, e até desprezados por parentes e amigos que professam religiões diferentes da sua, vivem num eterno conflito interior, e por essa razão, muitos dos filhos de pais espíritas são levados por familiares, parentes e amigos para outras casas religiosas, entrando dessa forma em conflito com o que os pais espíritas dizem em relação à religião que não é transmitida dessa forma às crianças nas interpretações que recebem para os mesmos ensinamentos do Mestre de Nazaré, nas instituições para onde são levadas, de forma dogmática e absolutamente ultrapassada, em confronto com a filosofia espírita de seus pais.

Outros ainda, não os levam a lugar algum, e se dirigem às casas espíritas sem a companhia dos seus filhos que ficam em casa, brincando com os amigos, jogando videogame, assistindo os “imperdíveis” capítulos das novelas da televisão, que os encharcam de futilidades e de pornografias inadequadas para suas idades onde aprendem todo o tipo de baixarias, desde traições, até palavras de baixo calão, onde se especializam em ser desde muito cedo, maldosos, desrespeitosos, e a tomarem conhecimento e conviverem com os vícios morais da nossa sociedade, alastrando ainda mais os devaneios da sexualidade que recebe apelo de todos os meios possíveis, nos temas abordados pelas respectivas novelas e pelos comerciais exibidos em horário nobre.

Quando perguntados pelos companheiros, sobre o paradeiro de suas crianças, respondem simplesmente, ficaram em casa, perguntei se queriam vir, mas, não quiseram, então, não forcei, quando desejarem vir, eu os trarei..., agindo assim, equivocada e irresponsavelmente, deixam uma decisão tão importante como essa, sobre os ombros de quem ainda não tem capacidade para saber o que lhe será mais útil e necessário na vida; satisfazendo a vontade dos filhos, quando são os pais, que devem decidir o que é melhor para eles até que adquiriram maturidade e responsabilidade para o fazerem por si mesmos.

Na vida religiosa de nossos filhos, devemos agir da mesma maneira que fazemos quando o matriculamos no colégio para que aprendam a ler e escrever, quando o levamos para vacinar contra doenças da idade infantil, quando o conduzimos para fazer esta ou aquela intervenção cirúrgica para a recuperação da sua saúde e de seu equilíbrio físico e psicológico etc., a esses pais que não conduzem seus filhos aos conhecimentos da moral cristã ensinada pela doutrina espírita, perguntamos: Se seu filho pequeno decidir deixar de ir à escola, você simplesmente concordará com ele; se não quiser tomar o remédio que lhe devolverá a plena saúde de seu organismo, você aceitará e acatará seu desejo; ora, então só na hora de ir ao templo espírita é que sua vontade deve ser respeitada?

Se, nas outras oportunidades aqui citadas, você não concorda com ele, porque ele precisa estar apto a enfrentar as dificuldades da vida, preparado para conquistar uma melhor situação econômica e financeira que lhe possa proporcionar uma vida de tranqüilidade no futuro, e, se você já tem suficiente conhecimento da reencarnação, e sabe que ele não será diferente de ninguém, pois, também não ficará para a semente, por que não lhe propiciar a necessária preparação não só para a vida passageira do plano material, e sim para toda sua vida, quer quando estiver no plano material quer no plano espiritual, que sabemos ser a destinação de todos nós, ainda presos aos compromissos com a Soberana Lei que nos reservará ainda outras inúmeras idas e vindas até nos acharmos inteiramente quites para com a Lei Divina, em paz com nossa própria consciência?

Em o Livro dos Espíritos, os mensageiros Divinos nos esclareceram sobre a importância de utilizarmos de forma correta o precioso período da infância para proporcionar aos nossos filhos a adequada orientação para que lhe sirva de norte a ser seguido, e não temos o direito de negligenciar tão elevada missão confiada aos Pais pela Soberana Sabedoria do Universo, conforme segue:

382. Durante a infância sofre o Espírito encarnado, em conseqüência do constrangimento que a imperfeição dos órgãos lhe impõe?

“Não. Esse estado corresponde a uma necessidade, está na ordem da Natureza e de
acordo com as vistas da Providência. É um período de repouso do Espírito.”

383. Qual, para este, a utilidade de passar pelo estado de infância?
“Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

582. Pode-se considerar como missão a paternidade?

“É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

583. São responsáveis os pais pelo transviamento de um filho que envereda pelo caminho do mal, apesar dos cuidados que lhe dispensaram?

“Não; porém, quanto piores forem as propensões do filho, tanto mais pesada é a tarefa e tanto maior o mérito dos pais, se conseguirem desviá-lo do mau caminho.”

a) Se um filho se torna homem de bem, não obstante a negligência ou os maus exemplos de seus pais, tiram estes daí algum proveito?

“Deus é justo.”

Portanto, queridos irmãos e amigos ESPÍRITAS, é hora de tomar da enxada e arar o campo que nos está confiado, enfrentando a incompreensão dos parentes, familiares, e amigos que por ora, não estão ainda suficientemente capacitados a entender a mensagem espírita, e façamos nossa parte, colocando à disposição desses seres tão especiais que Deus nosso Pai nos emprestou por infinita bondade, o conteúdo Cristão ofertado pela mensagem Espírita, para que desde cedo estejam em contato com os ensinamentos ministrados pelos Espíritos Superiores, sobre as coisas da vida espiritual, e para que também nós, nos capacitemos a maiores e melhores desafios no constante crescimento que precisamos realizar, na busca de nossa redenção perante as Sábias e Imutáveis Leis Universais que regem os nossos destinos concedendo a cada um segunda as suas obras.

Bibliografia:
Evangelho de Lucas, Cap. 18: v 16.
Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos, FEB, 77 edição;
Grifos nossos.

JFCR.

Muito Além

Afinal, como poderemos definir com acerto o que é o Espiritismo?
Seria, por acaso, mais uma religião dentre tantas que por aí já existem?
Afirmo com absoluta certeza, que não; digo mais, o Espiritismo é muito mais que uma simples religião, pois bem sabemos que ele difere em muitos pontos da religião tradicionalmente constituída.

Não tem o corpo clerical tão comum nas tradicionais religiões, onde a hierarquia define a posição de cada indivíduo, passando este a exercer a sua função em conformidade com as normas e regras estabelecidas pelos superiores hierárquicos, não tendo direito de se opor aos ditames que lhes são impostos, por mais que discorde da resolução do poder maior.

No Espiritismo, não temos esse composto hierárquico e, por isso mesmo, o maior entre todos será aquele que der maior exemplo de humildade, simplicidade, conhecimento e respeitos às Leis Divinas, pois são esses os principais requisitos para se construir um conceito digno de um verdadeiro espírita, transmitindo confiança aos seguidores sinceros da concepção espírita.

Sabemos que a filosofia espírita, traz no seu cerne uma proposta pedagógica; diferenciando-se por isso mesmo das outras religiões, pois procura no esclarecimento do ser os motivos para o educar e instruir, na expectativa de que este ser mais aclarado sobre os seus deveres e direitos, possa melhor discernir na hora de decidir pelos valores do Espírito eterno, tão necessários à sua evolução no processo de crescimento moral espiritual.

Diante do proposto pelo Consolador Prometido por Jesus, todo aquele que se dispuser a abraçar seus preceitos, terá que antes de qualquer coisa, saber que o Espiritismo é composto pela tríade: ciência, filosofia, e religião, e que não se aprende espiritismo sem um sério e disciplinado esforço para se dedicar aos estudos da Codificação; não sendo suficiente ao aprendiz do Consolador freqüentar tão somente as palestras doutrinárias de uma casa espírita.

Deve ele, procurar desde cedo se inscrever em um dos grupos de estudos existentes na casa que freqüentar, buscando cada vez mais se aprofundar nos conceitos do espiritismo, e dedicar-se também em suas horas de folga ao estudo das obras espíritas independente dos estudos semanais na Instituição.

E para melhor entender os postulados contidos na Codificação, precisa estar em constante aprendizado em todas as áreas da ciência, não só às que falem exclusivamente da parte moral e religiosa da Doutrina, mas de todos os ramos científicos, pois que o espiritismo é antes de tudo a própria vida natural de seus adeptos em todos os sentidos.

Precisa entender que quanto mais conhecimentos adquirir, mais preparado estará para discernir com a ótica ampliada pela visão espírita sobre qualquer assunto, não mais medindo e pesando as atitudes dos seus semelhantes com o mesmo peso e medida de que fazia uso no passado, sem os esclarecimentos que só o espiritismo nos dá a conhecer.

Dessa forma, procurar dar a melhor utilização aos bens da terra, sem no entanto deixar-se escravizar por seus tesouros perecíveis, entendo que só precisamos deles enquanto por aqui estivermos; assimilando definitivamente, que só as virtudes do espírito imortal devidamente desenvolvidas nos poderão fazer companhia quando nos soar o momento da volta às paragens do mundo espiritual de onde viemos e que com certeza absoluta, todos voltaremos, mais cedo ou mais tarde.

Os Espíritos Superiores nos esclarecem que é preciso que promovamos primeiramente o nosso desenvolvimento intelectual, para que possamos melhor entender o benefício que as virtudes morais nos podem propiciar, e em conseqüência nos dedicarmos com empenho no investimento cada vez maior em nosso tesouro espiritual, em busca da nossa felicidade e perfeição.

Hoje, ainda damos testemunho diário de que não temos compreensão suficientemente das Leis de Deus, visto que quanto mais nos esclarecemos, mais buscamos tirar vantagens da ignorância daqueles com quem nos relacionamos, utilizando-nos dos conhecimentos adquiridos pela intelectualidade para produzir o mal e a desventura aos nossos semelhantes, atestando nossa inferioridade, visto que ninguém que carregue em si a benção da moral desenvolvida, pode fazer uso de procedimento tão reprovável.

É, necessário, a mudança urgente de postura, visando empenharmo-nos o mais e melhor possível, na utilização de tão sagrados instrumentos de crescimento, que jazem escondidos dentro de cada um de nós, evitando a estagnação de nosso Ser Espiritual; e despertarmos o quanto antes para a frutificação da atitudes dignas de um seguidor do Mestre de Nazaré, que dizemos ser.

A Doutrina Espírita é sempre atual, pois é progressiva, e está inserida nas Leis do Cosmo, como bem nos ensinaram os Imortais do Mundo Maior, no Livro dos Espíritos; e nos preceitua que a solução para os desafios e problemas da vida, está condicionada ao investimento, desenvolvimento e implantação em nosso planeta de forma adequada e urgente de apenas uma simples palavra que significa tudo: A Educação.

Por isso mesmo, os espíritos superiores, responsáveis pela implantação do Consolador prometido por Jesus, e supervisionado pelo próprio Mestre, nos trouxeram dois ensinamentos que para nós espíritas se reveste de fundamental importância para o nosso crescimento como seres eternos da criação:
“Espíritas amai-vos, este o primeiro ensinamento, espíritas instruí-vos, este o segundo. Esclarecem também que o Espiritismo não será a religião do futuro, mas sim, o futuro das religiões.

Que o Mestre de Nazaré nos conserve os corações alegres e unidos no objetivo comum de amar e servir.
JFCR.

Somos Diferentes

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo..- Paulo. I CORINTIOS 12:4.
Em qualquer lugar e em qualquer atividade ou posição, todos podemos revelar qualidades divinas para a edificação de quantos conosco conviverem na bênção do dia a dia na vida de relação.

Aprender e ensinar são tarefas de toda hora, para quantos desejarem colaborar efetivamente com sua parcela de sacrifício na constituição do tesouro imensurável de sabedoria e de amor.

Os que detêm a benção da administração das tarefas e das pessoas, mais freqüentemente podem por seus critérios expressar a justiça e a magnanimidade em benefício de todos.

Aquele que deve obediência, também dispõe de recursos mais amplos para demonstrar o seu caráter na execução do dever bem cumprido.

O detentor da riqueza, bem mais que os outros, pode multiplicar o trabalho e dividir as bênçãos, proporcionando elevação e crescimento a si e em toda sua volta, minimizando as dificuldades e contribuindo para o progresso.

O pobre de hoje, não deve se entregar a maldições e revoltas, deve sim, seguir buscando apesar de todas as dificuldades, desenvolver em seu íntimo a fortuna da esperança e da dignidade, tesouros de maior valor que qualquer jóia material do mais cobiçado e raro mineral.

O forte, com maior facilidade, pode exercer a generosidade, a todo instante, ajudando e defendendo o fraco nas lutas do cotidiano.

O fraco, sem maiores embaraços, pode fazer-se humilde, em qualquer ocasião, procurando e pedindo ajuda sem se tornar simplesmente dependente, entendendo que deve buscar por seus próprios méritos a vitória sobre a dificuldade passageira, logo após ser ajudado, para por sua vez, mais tarde, também poder estender mão amiga ao necessitado que o buscar.

O detentor do saber, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos, renovando o pensamento geral para o bem, esclarecendo o equivocado, lançando luz e bênçãos por onde passar.

O aprendiz, deve tirar proveito de todas as oportunidades que Deus lhe conceder, empenhando-se em sua modificação e crescimento, contribuindo por sua vez com a riqueza da boa-vontade em aprender e por em prática os conhecimentos adquiridos.

O são, pode e deve projetar a riqueza da saúde e da caridade em serviço dos doentes de todos os tipos de moléstias, físicas, morais ou espirituais.

O doente, deve entes de tudo, utilizar-se das lições da paciência, plasmando em sua mente, um estado de ânimo geral otimista e confiante.

O Benfeitor Emmanuel nos ensina que “Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus, o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo”.

Todos somos capazes de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos encontramos, bastando para isso que nos dispusemos a colaborar com o Mestre de Nazaré, preparando-nos para melhor servir em sua Seara com a mor e determinação.

Procuremos, por isso mesmo, observar melhor a posição em que Deus nos situou, e trabalhar incessantemente com vistas a atender aos imperativos do Infinito Bem, colocando a vontade de servir acima de nossos desejos, e a Sabedoria Divina nos aproveitará os parcos recursos suprindo nossas deficiências para que aos poucos melhor pratiquemos a caridade na bênção de servirmos de instrumentos úteis à espiritualidade superior na sedimentação do amor no mundo.
JFCR.

Em favor da Fraternidade

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros...- Jesus. (João, 13:35.) ¹
Desde os primeiros dias do aparecimento da filosofia cristã na terra, vivemos em constante disputa por mostrar a nossa condição de seguidores de Jesus, lançando ao mundo de forma atrevida e agressiva as nossas conclusões a cerca dos princípios fundamentais da religião, sintetizando com o nosso acanhado entendimento os conceitos sobre: A existência de Deus, da Alma, do Universo e da Vida.

Chegamos mesmo a “declarar guerra”, de conseqüências devastadoras que alastraram a miséria e o terror em quantos não se enquadraram nos princípios da fé que esposamos; promovemos perseguições, inventamos suplícios, construímos prisões, acirramos o embate de irmãos contra irmãos entre tantos quantos discordassem dos nossos pontos de vista, que tínhamos como sendo os únicos verdadeiros. Tudo isso, em nome daquele que nos veio dar seu testemunho de amor e compreensão, entregando-se ao sacrifício da crucificação por devotamento a toda a humanidade.

Naquela época, onde a infantilidade espiritual da criatura humana era evidente, em que a sede de poder e riqueza nos movimentavam a inteligência na busca dos meios de conquistá-las, mesmo que de forma equivocada e até mesmo indecente, Jesus nos veio trazer seu conhecimento e dar testemunho das coisas do espírito que ele mesmo definiu como sendo tesouros que “nem a ferrugem nem os ladrões poderiam consumir”, pois, que não são bens materiais, e, por essa razão não são desse mundo, constituindo-se nas nobres virtudes do Espírito Imortal que somos, e que precisávamos começar a cultivar.

Não tínhamos, até então, a reta visão do verdadeiro sentido da vida, e nos empenhávamos em mostrar pela suntuosidade de nosso poder, riqueza e fama o nosso valor perante a sociedade para dessa forma impor nossos conceitos fraudulentos, na intenção de aumentar ainda mais o nosso poderio em todos os aspectos materiais.

Com o advento da vinda de Jesus ao nosso planeta, tomamos conhecimento da verdadeira grandeza do ser humano, pois, suas mensagens contrariaram todos os nossos interesses maiores, e, por esse motivo, o levamos à cruz pensando que dessa forma nos livraríamos de sua incômoda presença, o que se constatou posteriormente ter sido o maior dos nossos enganos, pois, que ele vive, e está cada dia mais presente em nossas vidas, tornando-se ainda, mais claro e verdadeiro para toda a humanidade os seus sábios e providenciais ensinamentos.

Após sua partida em direção aos paramos da Espiritualidade Superior, nos decidimos pela edificação e construção de palácios, basílicas e templos famosos pela suntuosidade e beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória, esquecidos de que ele, em verdade, não possuía sequer uma pedra onde repousar a cabeça, e que a prática da fraternidade que ele viera nos ensinar, nada tinha das extravagâncias mundanas, pois, como nos ensinara, “o reino de Deus não se conquista com aparências exteriores”, e sim, com as nobres ações em prol do amor e respeito a Deus nosso Pai, e ao nosso próximo, fazendo-lhe toda a caridade que nos seja possível realizar.

Passados dois mil e sete anos, de sua estada em nosso orbe, ainda hoje, fomentamos a separação e a discórdia, construindo barreiras de incompreensão e animosidade, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação da palavra dita “sagrada”, e, que por essa razão, só aceitamos como verdadeira a que professamos.

“Estendamos, assim, a fraternidade pura e simples, amparando-nos mutuamente... Fraternidade que trabalha e ajuda, compreende e perdoa, entre a humildade e o serviço que asseguram a vitória do bem. Atendamo-la, onde estivermos, recordando a palavra do Senhor que afirmou com clareza e segurança: - "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." ²
Que o Mestre de Nazaré nos mantenha em sua paz.

Fonte:
1) Evangelho de João, Cap.13 vv. 35;
2)Livro: Fonte Viva – Chico Xavier/Emmanuel - FEB 1ª edição especial, Cap.15, pág.46.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Estudo doutrinários - O Espiritista

Iniciamos nesta data um estudo sobre mediunidade, com o objetivo único de contribuir para o esclarecimento do assunto.
1 Qual a finalidade da mediunidade na Terra?

Divaldo - A mediunidade é, antes de tudo, uma oportunidade de servir. Bênção de Deus, que faculta manter o contato com a vida espiritual. Graças ao intercâmbio, podemos ter aqui, não apenas a certeza da sobrevivência da vida após a morte, mas também o equilíbrio para resgatarmos com proficiência os débitos adquiridos nas encarnações anteriores. E graças à mediunidade que o homem tem a antevisão do seu futuro espiritual, e, ao mesmo tempo, o relato daqueles que o precederam na viagem de volta à Erraticidade, trazendo-lhe informes de segurança, diretrizes de equilíbrio e a oportunidade de refazer o caminho pelas lições que ele absorve do contato mantido com os desencarnados.
Assim, a mediunidade tem uma finalidade de alta importância, porque é graças a ela que o homem se conscientiza das suas responsabilidades de espírito imortal. Conforme afirmava o Apóstolo Paulo, se não houvesse a ressurreição do Cristo, para nos trazer a certeza da vida espiritual, de nada valeria a mensagem que Ele nos deu.

2 Há mediunidades mais importantes que outras? E médiuns mais fortes que outros?

Raul - Verdadeiramente não pode haver mediunidades mais importantes que outras, nem médiuns mais fortes do que outros. Existem médiuns e mediunidades. Segundo Paulo de Tarso, existem os "dons" e ele se refere à visão, à audição, à cura, à palavra, ao ensino, mas disse que um só é o Senhor’. Eles provêm da mesma fonte. Os indivíduos que psicografam, que psicofonizam, que materializam, poderão todos realizar um trabalho apostolar, na realidade em que se encontram.
Não é o número de possibilidades que dá importância ao médium. O que engrandece espiritualmente o médium é aquilo que ele faz com os dons que possua. Verificamos que a importância do médium se localiza na honra que tem de poder servir.
Não existem médiuns mais fortes que outros, na Doutrina Espírita, mas, sim, os que são mais dedicados que outros, mais afervorados que outros, que estão renunciando à matéria e efetuando o esforço do auto-aprimoramento mais que outros. Isso ocorre. E é esse esforço para algo mais alto que confere ao médium, ou a outro servidor qualquer, melhores condições de estar à frente na lide. Mas isso não significa que o que venha na retaguarda não poderá alcançá-lo, realizando os mesmos esforços.
Conversando, oportunamente, com um grupo de amigos, o nosso venerável Chico Xavier dizia para os companheiros que o questionavam que o dia em que não chora, não viveu. Depreendemos disso que quanto mais se alteia a mediunidade, colocando aquele que dela é portador numa posição de destaque, numa posição de claridade, naturalmente, os que não desejam a luz mais atirarão pedras à “lâmpada”, tentando quebrá-la, quando não desejam derrubar o “poste” que a sustenta.
Daí, o médium mais importante ser aquele que mais disposto esteja para enfrentar essas Lutas em nome do Cristo, Médium de Deus por excelência, e o mais importante Senhor da mediunidade que conhecemos.
Não caberá nenhum desânimo a nenhum de nós outros que ainda nos localizamos numa faixa singela de mediunidade, galgando os primeiros passos. Isto porque já ouvimos companheiros que gostariam de receber mensagens como o Chico recebe, desejariam receber obras daquele talante, desejariam ser médiuns da envergadura desse ou daquele companheiro que se projeta na sociedade, mas desconhecem a cota de sacrifícios diários, de lutas, de lágrimas, de renúncias a que eles têm de se predispor e se dispor. Por isso, em Espiritismo, não há médiuns superiores a outros, nem mediunidades mais importantes que outras; existem oportunidades para que todos nós tomemos a charrua da evolução sem olharmos para trás, crescendo sempre.

1 - Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 12º, versículos 1 a 11

3 Existe mediunidade inconsciente?

Divaldo - Sem dúvida. Kardec classificava os médiuns, genericamente, em dois tipos: seguros e inseguros. Dentro dessa classificação, os seguros são aqueles que filtram com fidelidade a mensagem, aqueles que são automáticos, sonambúlicos, inconscientes portanto, por meio dos quais o fenômeno ocorre dentro de um clima de profundidade, sem que a consciência atual tome conhecimento.
Podem ser os médiuns conscientes, semiconscientes e inconscientes. Quanto às suas aptidões e qualidades morais, eles têm vasta classificação.

4 Tem o médium inconsciente responsabilidade pelo que ocorra durante as comunicações?

Divaldo - O fenômeno é sonambúlico, mas a comunicação está relacionada com a conduta moral do médium. Este é sempre responsável pelas ocorrências, assim como em muitas obsessões, quando o indivíduo entra numa faixa de subjugação e perde a consciência, ele parece não ser responsável pelo que se passa; no entanto, o é por haver sintonizado com aquele espírito que o dominou temporariamente. Está no Evangelho de Jesus o assunto colocado de uma maneira brilhante pelo Mestre quando diz aos recém-liberados: “Vai e não tornes a pecar, para que te não aconteça algo pior”1. Porque o indivíduo que não se modifica permanece numa faixa vibratória negativa e sintoniza com as entidades mais inditosas, portanto, semelhantes.
Colocando-nos no plano da mediunidade, a nossa vivência moral digna interdita o intercâmbio com as entidades frívolas.
As entidades malévolas dificilmente se adentram na Casa Espírita que tem um padrão vibratório nobre, porque as defesas impedem que tais espíritos rompam as barreiras magnéticas. Mas, a pessoa que se adentra sem o perseguidor deverá reformar-se enquanto está no ambiente espiritual. O que ocorre então? Tal indivíduo, ao invés de acompanhar o doutrinador, de observar e meditar a respeito das lições que lhe são ministradas, por uma viciação mental continua com os mesmos clichês que trouxe lá de fora, ficando dentro do Centro, porém ligado aos espíritos com os quais se afina, mantendo vinculação hipnótica, telepática.
Há pessoas que não conseguem orar, e, quando vão orar, ocorrem-lhes pensamentos de teor vibratório muito baixo. Na hora da prece são assistidas essas pessoas por lembranças de coisas desagradáveis vulgares, sensuais, e não sabem compreender como isso lhes sucede. É resultado de hábito mental.
Se nós, a vida inteira, jogamos para o inconsciente idéias depressivas, vulgaridades, criamos ideoplastias perniciosas. A nossa memória anterior ou subconsciente fica encharcada daquelas fixações. Na hora em que vamos exercitar um pensamento ao qual não estamos habituados, é lógico que, primeiro, aflorem os que são freqüentes. Ilustraremos melhor:
Imaginemos aqui um vaso comunicante em forma de letra “U” De repente vamos orar ou sintonizar com os espíritos nobres. Pelo superconsciente vem a idéia passa pelo consciente e desce ao inconsciente. Ao passar por ali recebe o enxerto das idéias arquivadas e chega novamente à razão, influenciada pela mescla do que está em depósito. Se pegamos um vaso que está com fuligem, com poeira e colocamos água limpa, ela entra cristalina, porém sai suja, até que, se perseverarmos e continuarmos colocando água limpa, ela irá assear aquele depósito e sairá, por fim, como entrou. É necessário, então, porfiar na idéia, insistir nos planos positivos, permanecer nos pensamentos superiores.
Somos sempre responsáveis por quaisquer comunicações, desde que somos o fator que atrai a entidade que se vai apresentar, graças às nossas vibrações e conduta intelecto-moral.

1 Jesus, Jó, capítulo 5º, versículo 14

5 De que dispõe o médium psicofônico consciente para distinguir seu pensamento do pensamento da entidade comunicante?

Divaldo - O médium consciente dispõe do bom senso. Eis porque, antes de exercitar a mediunidade deve estudá-la; antes de entregar-se ao ministério da vivência mediúnica é-lhe lícito entender o próprio mecanismo do fenômeno mediúnico. Allan Kardec, aliás, sábio por excelência, teve a inspiração ditosa de primeiro oferecer à Humanidade O Livro dos Espíritos, que é um tratado de filosofia moral. Logo depois, O Livro dos Médiuns, que é um compêndio de metodologia do exercício da faculdade mediúnica. Há de ver-se, no capítulo 3º, que é dedicado ao método, sobre a necessidade de o indivíduo conhecer a função que vai disciplinar. Então o médium tem conhecimento de suas próprias aptidões e de sua capacidade de exercitá-las.
Na mediunidade consciente ou lúcida o fenômeno é, a princípio, “inspirativo”.
Naturalmente os espíritos se utilizam do nível cultural do médium, o mesmo ocorrendo nas demais expressões mediúnicas: na semiconsciente e na inconsciente ou sonambúlica. O médium, no começo, terá que vencer o constrangimento da dúvida, em cujo período ele não tem maior certeza se a ocorrência parte do seu inconsciente, dos arquivos da memória anterior, ou se provém da indução de natureza extrínseca. Através do exercício, ele adquirirá um conhecimento de tal maneira equilibrado que poderá identificar quando se trata de si próprio - animismo ou de interferência espiritual - mediunismo. Através da lei dos fluidos, pelas sensações que o médium registra, durante a influência que o envolve, passa a identificar qual a entidade que dele se acerca. A partir daí, se oferece numa entrega tranqüila, e o espírito que o conduz inspira-o além da sua própria capacidade dando leveza às suas idéias habituais, oferecendo-lhe a possibilidade de síntese que não lhe é comum, canalizando idéias às quais não está acostumado e que ocorrem somente naquele instante da concentração mediúnica. Só o tempo, porém, pelo exercício continuado, oferecerá a lucidez, a segurança para discernir quando se trata de informação dos seus próprios arquivos ou da interferência dos Bons Espíritos.
Fonte:
Livro Diretrizes de Segurança
JFCR.

“Jesus”

É muito freqüente no meio espírita a discussão sobre como Jesus o nosso modelo e guia se apresentou aqui entre nós, quando de sua passagem pelo nosso planeta.

Afirmam em sua grande maioria, que o codificador do espiritismo a esse fato não se referiu, preferindo analisar apenas a parte moral do evangelho que segundo entendem, é comum a todas as correntes religiosas.

É claro que como espírita que somos, não podemos deixar de discordar peremptoriamente de tantos quanto assim pensam, pois na própria codificação nós temos a resposta clara, e absolutamente esclarecedora que não nos pode deixar a mínima dúvida quanto ao assunto, vejamos o que nos fala a esse respeito o próprio Allan Kardec:

A Gênese
CAPÍTULO XV – Os Milagres do Evangelho

Superioridade da Natureza de Jesus
“...Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal de cujas fraquezas não era passível” ...( item 2).

“ A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e nada têm de anômalos, pois que se explicam pelas propriedades do perispírito e se dão, em graus diferentes, noutros indivíduos. Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. É tão marcada a diferença entre os dois estados, que não podem ser assimilados.

O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, propriedades que diferem essencialmente das dos fluidos etéreos; naquela, a desorganização se opera pela ruptura da coesão molecular. Ao penetrar no corpo material, um instrumento cortante lhe divide os tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atacados, cessa-lhes o funcionamento e sobrevém a morte, isto é, a do corpo. Não existindo nos corpos fluídicos essa coesão, a vida aí já não repousa no jogo de órgãos especiais e não se podem produzir desordens análogas àquelas. Um instrumento cortante ou outro qualquer penetra num corpo fluídico como se penetrasse numa massa de vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Tal a razão por que não podem morrer os corpos dessa espécie e por que os seres fluídicos, designados pelo nome de agêneres, não podem ser mortos.

Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos o puderam ver e tocar. Após a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz; donde forçoso é concluir que, se foi possível que Jesus morresse, é que carnal era o seu corpo. Por virtude das suas propriedades materiais, o corpo carnal é a sede das sensações e das dores físicas, que repercutem no centro sensitivo ou Espírito. Quem sofre não é o corpo, é o Espírito recebendo o contragolpe das lesões ou alterações dos tecidos orgânicos. Num corpo sem Espírito, absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão, o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos, visto que estes resultam da alteração da matéria, donde também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente”. (item 65).

“Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais.
Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até ao último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem”. (1)

Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência. (Item 66).

(1) Nota da Editora: Diante das comunicações e dos fenômenos surgidos após a partida de Kardec, concluiu-se que não houve realmente vão simulacro, como igualmente não houve simulacro de Jesus, após a sua morte, ao pronunciar as palavras que foram registradas por Lucas (24:39): - "Sou eu mesmo, apalpai-me e vede, porque um Espírito não tem carne nem osso, como vedes que eu tenho."

Ante o exposto na própria obra da codificação, como espírita que nos dizemos ser, procuremos nos orientar pelos ensinamentos daquele que foi considerado como o bom senso encarnado, e estarmos atentos aos ensinamentos do insigne codificador, não nos deixando envolver por aqueles que querem de alguma forma encontrar brechas no trabalho incomparável e insuperável desse espírito que realizou toda sua obra com decência, dignidade, perseverança e maestria. Não temos razão para esse tipo de dúvida, pois se raciocinarmos em tudo que aqui foi colocado por Kardec, Jesus quando conosco esteve, também se utilizou do material que o nosso planeta lhe propiciava para sua tarefa de transformação da humanidade, sendo por isso modelo e guia para todos nós, mostrando-nos que é possível viver neste planeta tirando dele o melhor para a nossa elevação moral como espíritos eternos que somos, mesmo tendo ainda que nos valer deste instrumento ainda tão rude em termos de vida espiritual.

Não teria sentido algum fazer tudo o que Jesus fez usando de privilégio que se a ele fosse dado, estaria ferindo o princípio da igualdade apregoada pelos espíritos superiores a Kardec, onde afirmam em o Livro dos Espíritos que todos somos iguais perante a lei de Deus nosso pai e criador.

Sua superioridade se dava por conta do grau de pureza espiritual, pelo seu completo desenvolvimento intelectual e moral, e não por ter herdado do Pai Eterno um instrumento melhor que o nosso para seu deleite. Por isso tudo que a codificação nos dá de esclarecimento sobre esse assunto, cabe-nos uma simples pergunta: o que mais queriam esses nossos irmãos que o codificador dissesse a respeito de assunto tão claro?

Fonte:
A GêneseCAPÍTULO XV – Os Milagres do Evangelho.

JFCR.

Os inimigos do Espiritismo

A doutrina espírita é tão Cristã, que nos ensina a seguir o seu criador, em todas as situações de nossas vidas, nos fazendo ver que o Cristianismo e o Espiritismo são uma só e a mesma coisa, e por isso mesmo, não admite comportamento diferente para seus legítimos seguidores.

Todos os preceitos trazidos por Jesus, no cristianismo da época em que ele aqui esteve, estão de volta na filosofia espírita moderna, codificada por um de seus maiores discípulos, que a seu serviço esteve com competência e dedicação a codificar o Consolador Prometido pelo Meigo Rabi da Galiléia, no Pentateuco espírita, a disposição de todos nós.

Até mesmo nos momentos em que somos atacados por falsas alegações de que praticamos atos indignos de um verdadeiro seguidor do Cristo, que fazemos uso da Feitiçaria e da Magia Negra; não nos dá o Espiritismo, direito de retribuir esses sacrilégios, senão com muita compreensão e o sincero despojamento de nosso egoísmo e orgulho, para entendermos que esses irmãos não têm ainda o menor conhecimento da verdadeira doutrina que professamos e seus postulados de paz, amor e caridade.

No Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XXVIII, encontramos, a esse respeito, os ensinamentos que nos deram os Imortais da Vida Maior, conforme segue:

Pelos inimigos do Espiritismo

50. “ Bem-aventurados os famintos de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Ditosos sereis, quando os homens vos carregarem de maldições, vos perseguirem e falsamente disserem contra vós toda espécie de mal, por minha causa. - Rejubilai-vos, então, porque grande recompensa vos está reservada nos céus, pois assim perseguiram eles os profetas enviados antes de vós. (S. MATEUS, cap. V, vv. 6 e 10 a 12.)

Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode perder alma e corpo no inferno. (S. MATEUS, cap. X, v. 28.)

51. PREFÁCIO. De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de a de consciência. Lançar alguém anátema sobre os que não pensam como ele é reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: a caridade e o amor do próximo. Perseguir os outros, por motivos de suas crenças, é atentar contra o mais sagrado direito que tem todo homem o de crer no que lhe convém e de adorar a Deus como o entenda. Constrangê-los a atos exteriores Semelhantes aos nossos é mostrarmos que damos mais valor à forma do que ao fundo, mais às aparências, do que à convicção. Nunca a abjuração forçada deu a quem quer que fosse a fé; apenas pode fazer hipócritas. E um abuso da força material, que não prova a verdade. A verdade é senhora de si: convence e não persegue, porque não precisa perseguir.

O Espiritismo é uma opinião, uma crença; fosse (1) até uma religião, por que se não teria a liberdade de se dizer espírita, como se tem a de se dizer católico, protestante, ou judeu, adepto de tal ou qual doutrina filosófica, de tal ou qual sistema econômico? Essa crença é falsa, ou é verdadeira, se é falsa, cairá por si mesma, visto que o erro não pode prevalecer contra a verdade, quando se faz luz nas inteligências. Se é verdadeira, não haverá perseguição que a torne falsa.

A perseguição é o batismo de toda idéia nova, grande e justa e cresce com a magnitude e a importância da idéia. O furor e o desabrimento dos seus inimigos são proporcionais ao temor que ela lhes inspira. Tal a razão por que o Cristianismo foi perseguido outrora e por que o Espiritismo o é hoje, com a diferença, todavia, de que aquele o foi pelos pagãos, enquanto o segundo o é por cristãos. Passou o tempo das perseguições sangrentas. É exato; contudo, se já não matam o corpo, torturam a alma, atacam-na até nos seus mais íntimos sentimentos, nas suas mais caras afeições. Lança-se a desunião nas famílias, excita-se a mãe contra a filha, a mulher contra o marido; investe-se mesmo contra o corpo, agravando-se-lhe as necessidades materiais, tirando-se-lhe o ganha-pão, para reduzir pela fome o crente. (Cap. XXIII, nº 9 e seguintes.)

Espíritas, não vos aflijais com os golpes que vos desfiram, pois eles provam que estais com a verdade. Se assim não fosse, deixar-vos-iam tranqüilos e não vos procurariam ferir. Constitui uma prova para a vossa fé, porquanto é pela vossa coragem, pela vossa resignação e pela vossa paciência que Deus vos reconhecerá entre os seus servidores fiéis, a cuja contagem ele hoje procede, para dar a cada um a parte que lhe toca, segundo suas obras.

A exemplo dos primeiros cristãos, carregai com altivez a vossa cruz. Crede na palavra do Cristo, que disse: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, que deles é o reino dos céus. Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma." Ele também disse: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal e orai pelos que vos perseguem. Mostrai que sois seus verdadeiros discípulos e que a vossa doutrina é boa, fazendo o que ele disse e fez. A perseguição pouco durará. Aguardai com paciência o romper da aurora, pois que já rutila no horizonte a estrela d'alva. (Cap. XXIV, nº 13 e seguintes.)
_______________
(1) Ver "Reformador" de 1946, pág. 253; "Revue Spirite", de dezembro de 1868; "Allan Kardec", de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, vol. III, pág. 100. Nota da Editora da FEB.

Em seguida, ensina-nos a rogar a Deus pelos inimigos de nossa doutrina, através da prece feita do fundo dos nossos corações, para que Deus lhes dê discernimento, e abra-lhes a visão e a compreensão para o entendimento de que somos também filhos do mesmo Pai de toda a criatura humana que o busca por outros meios e em outras correntes religiosas, para com as quais nós espíritas deveremos ter o maior carinho e respeito, independente de como somos tratados.

52. Prece. - Senhor, tu nos disseste pela boca de Jesus, o teu Messias: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça; perdoai aos vossos inimigos; orai pelos que vos persigam." E ele próprio nos deu o exemplo, orando pelos seus algozes.

Seguindo esse exemplo, meu Deus, imploramos a tua misericórdia para os que desprezam os teus sacratíssimos preceitos, únicos capazes de facultar a paz neste mundo e no outro. Como o Cristo, também nós te dizemos: "Perdoa-lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem."

Dá-nos forças para suportar com paciência e resignação, como provas para a nossa fé e a nossa humildade, seus escárnios, injúrias, calúnias e perseguições; isenta-nos de toda idéia de represálias, visto que para todos soará a hora da tua justiça, hora que esperamos submissos à tua vontade santa”.

Que busquemos por em prática os verdadeiros ensinamentos do nosso Mestre Maior, e seguirmos em paz e compreensão para com todos, haurindo na doutrina consoladora e esclarecedora que professamos a força necessária para vencermos este e qualquer empecilho que se apresente em nossa caminhada em direção aos cimos da espiritualidade superior.
JFCR.

Mediunidade, bênção de Deus!

Os espíritos superiores nos ensinam que a mediunidade está na terra desde os primeiros processos da manifestação do homem no planeta, e que nem mesmo nos momentos mais difíceis dos acontecimentos históricos, políticos, sociais etc..., por que passou a humanidade, em que muitos serviram de mártires, a mediunidade não recuou diante da tirania e da ignorância dos poderosos da época, que perseguiram homens e mulheres que foram barbaramente supliciados até a morte por serem provas vivas da verdade espiritual.

Muitos dos primeiros cristãos, médiuns de valiosos recursos mediúnicos, foram mortos da maneira mais bárbara possível, alguns traspassados por flechas incandescentes, outros foram cozidos vivos em azeite fervendo, outros jogados às feras nos espetáculos circenses para serem devorados vivos sob o aplauso da turba romana, patrocinados pelos imperadores sanguinolentos.

Mas, apesar de tudo, o Cristianismo seguiu conduzidos pelos benevolentes trabalhadores do Cristo, e grandes vultos da história do cristianismo surgiam, os profetas se multiplicavam, os fenômenos mediúnicos invadiram até mesmo a história da Igreja, pois muitos dos seus Santos foram médiuns na terra, podemos citar Santo Agostinho, São Luiz, etc.., e outras tantas personalidades da humanidade conhecidas em toda a terra entre elas Joanna D’arc.

No livro dos médiuns, Capítulo XXXI - item XI, o espírito Pedro Jouty nos esclarece a esse respeito dizendo: ““O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade. Os Caldeus, os Assírios tinham médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele lhe ouvia a voz. Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana d'Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.
Esse dom, que agora se espalha, raro se tornara nos séculos medievos; porém, nunca desapareceu. Swedenborg e seus adeptos constituíram numerosa escola”.

Foi então que na primeira metade do século XIX os fenômenos mediúnicos abalaram a comunidade científica na América e na Europa, pois as mesas dançavam, e a presença dos fenômenos que se alastravam falavam à razão humana da existência de mais um enigma a ser decifrado pelos sábios e estudiosos.

Deus, então, por sua infinita misericórdia e bondade, fez surgir o sol fulgurante da verdade e, era necessário uma alma de escol, para recebê-lo e interpretá-lo sob uma nova ótica, diferente daquela até então utilizada pelos cientistas da época, inteiramente voltada para o materialismo.

Surge nesse grave momento, o extraordinário espírito incumbido de tão grande e sublime missão, o codificador Allan Kardec que empregou toda sua genialidade e cultura científica milenares, na organização dos ensinos ministrados pelos Imortais do mundo maior, lançando os livros contendo a filosofia, a ciência e a religião espírita.

Daquele momento em diante, a mediunidade deixava de ser mística e sobrenatural, para ser entendida como mais uma ferramenta de que o ser humano pode se utilizar, de maneira positiva, em benefício próprio e do seu semelhante.

Hoje, esclarecidos pela terceira revelação, podemos entender que a mediunidade é coisa sagrada, que deve ser praticada de maneira digna e responsável, exercida com devotamento, discrição e humildade, no anonimato em benefício da humanidade.

Os médiuns, não são seres privilegiados em missão na mediunidade, são sim na maioria das vezes, serem endividados e em necessárias provas e rígidas expiações a caminho da sua própria regeneração diante das Leis eternas e imutáveis que regem o destino dos seres humanos.

Para finalizar, recorreremos mais uma vez ao Livro dos Médiuns, ainda no Capítulo XXXI, onde encontramos a comunicação que abaixo transcrevo, como seguro ensinamento para todos que laboramos nos trabalhos que a mediunidade nos premia e que precisamos saber dar o devido valor.

“Todos os homens são médiuns, todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Agora, que uns se Comuniquem diretamente com ele, valendo-se de uma mediunidade especial, que outros não o escutem senão com o coração e com a inteligência, pouco importa: não deixa de ser um Espírito familiar quem os aconselha. Chamai-lhe espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma, pronunciando boas palavras. Apenas, nem sempre as compreendeis.

Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura, entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as coisas mais sublimes.

Escutai essa voz interior, esse bom gênio, que incessantemente vos fala, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo guardião, que do alto dos céus vos estende as mãos. Repito: a voz íntima que fala ao coração é a dos bons Espíritos e é deste ponto de vista que todos os homens são médiuns”.
Channing.

JFCR.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Poesia!

Sempre confiante!

Quando algo de muito grave e triste nos acontece,
Quando o nosso coração se entristece, nas adversidades da vida,
Quando mais nada parece trazer uma saída,
Entregamo-nos ao desespero sem ver a luz que ao longe aparece.

Mas, ao passar de alguns instantes, como um clarão a enxotar a escuridão,
Surge a lucidez de um pensamento sugerido, por alguém que nos chama
Ativando nosso ânimo, num chamado íntimo que nos pede pra sair da lama,
Lembrando as alegrias que a vida nos legou, como alimento para o nosso coração.

É, justamente nessa hora que precisamos ter, coragem pra seguir,
Pois, a vida não para, e temos também de caminhar
Vencendo dores dificuldades em nós mesmos, e em redor, sem lamentar,
Na certeza de que dias melhores nos aguardam no porvir.

Levantemos a cabeça e em frente nos projetemos,
E o tempos nos fará brevemente esquecer, a tempestade
Enviando ao nosso encontro novos convites às claridades da verdade,
Aclarando-nos o entendimento para as Leis, que regem os seres humanos.

Certamente aprenderemos com o tempo, que tudo nos serve é de lição,
Que precisamos aprender para nos fortalecermos na paz e no amor,
No trabalho da caridade que nos tornará ativo servidor,
Da Seara do meigo Galileu, que nos chama a servir como cristão.

Que sejamos capazes de vivenciar, as lições que a vida nos faculta aprender,
Para melhor aquilatar as alegrias de servir com prazer e devoção,
No trabalho da ajuda que nos pede nosso irmão,
Estendendo-lhe nossas mãos com carinho, com respeito e com prazer...

Obrigado, Senhor! Pelas experiências por mim vivenciadas
Nesta presente encarnação onde muito tenho aprendido,
Me socorra nos momentos de testemunhar o que tenho absorvido
Das lições que preciso utilizar, para ter minhas ações iluminadas
JFCR.

Agradecimento aos amigos!

Queremos externar os nossos sinceros agradecimentos, a todos os queridos amigos que nos brindaram com a presença e com o carinho na noite de lançamento do livro Terra Fértil na UMEN.

Que Jesus, nosso mestre e guia, possa abençoar a todos vocês amigos, que nos fizeram sentir as doces vibrações de uma amizade e de um carinho contagiantes.

Grande abraço,
Carmen Silveira e Francisco Rebouças.

Estudos doutrinários - O Espiritista

DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM

230. A seguinte instrução deu-no-la, sobre o assunto, um Espírito de quem temos inserido muitas comunicações:

"Já o dissemos: os médiuns, apenas como tais, só secundária influência exercem nas comunicações dos Espíritos; o papel deles é o de uma máquina elétrica, que transmite os despachos telegráficos, de um ponto da Terra a outro ponto distante. Assim, quando queremos ditar uma comunicação, agimos sobre o médium, como o empregado do telégrafo sobre o aparelho, isto é, do mesmo modo que o tique-taque do telégrafo traça, a milhares de léguas, sobre uma tira de papel, os sinais reprodutores do despacho, também nós comunicamos, por meio do aparelho mediúnico, através das distâncias incomensuráveis que separam o mundo visível do mundo invisível, o mundo imaterial do mundo carnal, o que vos queremos ensinar. Mas, assim como as influências atmosféricas atuam, perturbando, muitas vezes, as transmissões do telégrafo elétrico, igualmente a influência moral do médium atua e perturba, às vezes, a transmissão dos nossos despachos de além-túmulo, porque somos obrigados a fazê-los passar por um meio que lhes é contrário. Entretanto, essa influência, amiúde, se anula, pela nossa energia e vontade, e nenhum ato perturbador se manifesta. Com efeito, os ditados de alto alcance filosófico, as comunicações de perfeita moralidade são transmitidas algumas vezes por médiuns impróprios a esses ensinos superiores; enquanto que, por outro lado, comunicações pouco edificantes chegam também, às vezes, por médiuns que se envergonham de lhes haverem servido de condutores.

"Em tese geral, pode afirmar-se que os Espíritos atraem Espíritos que lhes são similares e que raramente os Espíritos das plêiadas elevadas se comunicam por aparelhos maus condutores, quando têm à mão bons aparelhos mediúnicos, bons médiuns, numa palavra.

"Os médiuns levianos e pouco sérios atraem, pois, Espíritos da mesma natureza; por isso é que suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas e, não raro, muito heterodoxas, espiriticamente falando. Certamente, podem eles dizer, e às vezes dizem, coisas aproveitáveis; mas, nesse caso, principalmente, é que um exame severo e escrupuloso se faz necessário, porquanto, de envolta com essas coisas aproveitáveis, Espíritos hipócritas insinuam, com habilidade e preconcebida perfídia, fatos de pura invencionice, asserções mentirosas, a fim de iludir a boa-fé dos que lhes dispensam atenção. Devem riscar-se, então, sem piedade, toda palavra, toda frase equivoca e só conservar do ditado o que a lógica possa aceitar, ou o que a Doutrina já ensinou. As comunicações desta natureza só são de temer para os espíritas que trabalham isolados, para os grupos novos, ou pouco esclarecidos, visto que, nas reuniões onde os adeptos estão adiantados e já adquiriram experiência, a gralha perde o seu tempo a se adornar com as penas do pavão: acaba sempre desmascarada.

"Não falarei dos médiuns que se comprazem em solicitar e receber comunicações obscenas. Deixemos se deleitem na companhia dos Espíritos cínicos. Aliás, os autores das comunicações desta ordem buscam, por si mesmos, a solidão e o isolamento; porquanto só desprezo e nojo poderão causar entre os membros dos grupos filosóficos e sérios. Onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as idéias que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva. É de apostar-se então mil contra um que isso não passa de reflexo do próprio Espírito do médium. Dá-se mesmo o fato curioso de mover-se a mão do médium, quase mecanicamente às vezes, impelida por um Espírito secundário e zombeteiro. É essa a pedra de toque contra a qual vêm quebrar-se as imaginações ardentes, por isso que, arrebatados pelo ímpeto de suas próprias idéias, pelas lentejoulas de seus conhecimentos literários, os médiuns desconhecem o ditado modesto de um Espírito criterioso e, abandonando a presa pela sombra, o substituem por uma paráfrase empolada. Contra este escolho terrível vêm igualmente chocar-se as personalidades ambiciosas que, em falta das comunicações que os bons Espíritos lhes recusam, apresentam suas próprias obras como sendo desses Espíritos. Daí a necessidade de serem, os diretores dos grupos espíritas, dotados de fino tato, de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas das que não o são e para não ferir os que se iludem a si mesmos.

"Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.

"Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniqüidade.

"O Espiritismo já está bastante espalhado entre os homens e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua santa doutrina, para que os Espíritos já não se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos, de médiuns imperfeitos. Se, pois, agora, um médium, qualquer que ele seja, se tornar objeto de legítima suspeição, pelo elos seus costumes, pelo seu orgulho, pela sua falta de amor e de caridade, repeli, repeli suas comunicações, porquanto aí estará uma serpente oculta entre as ervas. É esta a conclusão a que chego sobre a influência moral dos médiuns."

ERASTO


Fonte de Estudo
Livro dos Médiuns
Capítulo XX
Grifos nossos.

Estudos doutrinários - O Espiritista

DA AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA
52. Posta de lado a opinião materialista, porque condenada pela razão e pelos fatos, tudo se resume em saber se a alma, depois da morte, pode manifestar-se aos vivos. Reduzida assim à sua expressão mais singela, a questão fica extraordinariamente desembaraçada. Caberia, antes de tudo, perguntar por que não poderiam seres inteligentes, que de certo modo vivem no nosso meio, se bem que invisíveis por natureza, atestar-nos de qualquer forma sua presença. A simples razão diz que nisto nada absolutamente há de impossível, o que já é alguma coisa. Demais, esta crença tem a seu favor o assentimento de todos os povos, porquanto com ela deparamos em toda parte e em todas as épocas. Ora, nenhuma intuição pode mostrar-se tão generalizada, nem sobreviver ao tempo, se não tiver algum fundamento. Acresce que se acha sancionada pelo testemunho dos livros sagrados e pelo dos Pais da Igreja, tendo sido preciso o cepticismo e o materialismo do nosso século para que fosse lançada ao rol das idéias supersticiosas. Se estamos em erro, aquelas autoridades o estão igualmente.

Mas, isso não passa de considerações de ordem moral. Uma causa, especialmente, há contribuído para fortalecer a dúvida, numa época tão positiva como a nossa, em que toda gente faz questão de se inteirar de tudo, em que se quer saber o porquê e o como de todas as coisas. Essa causa é a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais se podem manifestar. Adquirindo o conhecimento daquela natureza e destes meios, as manifestações nada mais apresentam de espantosas e entram no cômputo dos fatos naturais.

53. A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna à primeira vista incompreensível o fenômeno das manifestações. Como estas não podem dar-se, senão exercendo o Espírito ação sobre a matéria, os que julgam que a idéia de Espírito implica a de ausência completa de tudo o que seja matéria perguntam, com certa aparência de razão, como pode ele obrar materialmente. Ora, aí o erro, pois que o Espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o deixa, por ocasião da morte, não sai dele despido de todo o envoltório. Todos nos dizem que conservam a forma humana e, com efeito, quando nos aparecem, trazem as que lhes conhecíamos.

Observemo-los atentamente, no instante em que acabem de deixar a vida; acham-se em estado de perturbação; tudo se lhes apresenta confuso, em tomo; vêem perfeito ou mutilado, conforme o gênero da morte, o corpo que tiveram; por outro lado se reconhecem e sentem vivos; alguma coisa lhes diz que aquele corpo lhes pertence e não compreendem como podem estar separados dele. Continuam a ver-se sob a forma que tinham antes de morrer e esta visão, nalguns, produz, durante certo tempo, singular ilusão: a de se crerem ainda vivos. Falta-lhes a experiência do novo estado em que se encontram, para se convencerem da realidade. Passado esse primeiro momento de perturbação, o corpo se lhes torna uma veste imprestável de que se despiram e de que não guardam saudades. Sentem-se mais leves e como que aliviados de um fardo. Não mais experimentam as dores físicas e se consideram felizes por poderem elevar-se, transpor o espaço, como tantas vezes o fizeram em sonho, quando vivos (1). Entretanto, mau grado à falta do corpo, comprovam suas personalidades; têm uma forma, mas que os não importuna nem os embaraça; têm, finalmente, a consciência de seu eu e de sua individualidade. Que devemos concluir daí? Que a alma não deixa tudo no túmulo, que leva consigo alguma coisa.

54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que mais tarde falaremos, levaram à conseqüência de que há no homem três componentes: 1º, a alma, ou Espírito, princípio inteligente, onde tem sua sede o senso moral; 2º, o corpo, invólucro grosseiro, material, de que ele se revestiu temporariamente, em cumprimento de certos desígnios providenciais; 3º, o perispírito, envoltório fluídico, semi-material, que serve de ligação entre a alma e o corpo.

A morte é a destruição, ou, antes, a desagregação do envoltório grosseiro, do invólucro que a alma abandona.

O outro se desliga deste e acompanha a alma que, assim, fica sempre com um envoltório. Este último, ainda que fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós, em seu estado normal, não deixa de ser matéria, embora até ao presente não tenhamos podido assenhorear-nos dela e submetê-la à análise.

Esse segundo invólucro da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; é, em suma, esse agente misterioso, imperceptível, conhecido pelo nome de fluido nervoso, que desempenha tão grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos.

Tomando em consideração apenas o elemento material ponderável, a Medicina, na apreciação dos fatos, se priva de uma causa incessante de ação. Não cabe, aqui, porém, o exame desta questão. Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.

O perispírito não constitui uma dessas hipóteses de que a ciência costuma valer-se, para a explicação de um fato. Sua existência não foi apenas revelada pelos Espíritos, resulta de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Por ora e por nos não anteciparmos, no tocante aos fatos que havemos de relatar, limitar-nos-emos a dizer que, quer durante a sua união com o corpo, quer depois de separar-se deste, a alma nunca está desligada do seu perispírito.

(1) Quem se quiser reportar a tudo o que dissemos em O Livro dos Espíritos sobre os sonhos e o estado do Espírito durante o sono (ns. 400 a 418), conceberá que esses sonhos que quase toda gente tem, em que nos vemos transportados através do espaço e como que voando, são mera recordação do que o nosso Espírito experimentou, quando, durante o sono, deixara momentaneamente o corpo material, levando consigo apenas o corpo fluídico, o que ele conservará depois da morte. Esses sonhos, pois, nos podem dar uma idéia do estado do Espírito, quando se houver desembaraçado dos entraves que o retêm preso ao solo.

55. Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem. Porém, o perispírito, só por só, não é o Espírito, do mesmo modo que só o corpo não constitui o homem, porquanto o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento de sua ação.

56. Ele tem a forma humana e, quando nos aparece, é geralmente com a que revestia o Espírito na condição de encarnado. Daí se poderia supor que o perispírito, separado de todas as partes do corpo, se modela, de certa maneira, por este e lhe conserva o tipo; entretanto, não parece que seja assim. Com pequenas diferenças quanto às particularidades e exceção feita das modificações orgânicas exigidas pelo meio em o qual o ser tem que viver, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos. Pelo menos, é o que dizem os Espíritos. Essa igualmente a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só têm o perispírito; a com que, em todos os tempos, se representaram os anjos, ou Espíritos puros. Devemos concluir de tudo isto que a forma humana é a forma tipo de todos os seres humanos, seja qual foro grau de evolução em que se achem. Mas a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; é, se assim nos podemos exprimir, flexível e expansível, donde resulta que a forma que toma, conquanto decalcada na do corpo, não é absoluta, amolga-se à vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda, ao passo que o invólucro sólido lhe oferece invencível resistência.

Livre desse obstáculo que o comprimia, o perispírito se dilata ou contrai, se transforma: presta-se, numa palavra, a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que sobre ele atua. Por efeito dessa propriedade do seu envoltório fluídico, é que o Espírito que quer dar-se a conhecer pode, em sendo necessário, tomar a aparência exata que tinha quando vivo, até mesmo com os acidentes corporais que possam constituir sinais para o reconhecerem.

Os Espíritos, portanto, são, como se vê, seres semelhantes a nós, constituindo, ao nosso derredor, toda urna população, invisível no estado normal. Dizemos – no estado normal, porque, conforme veremos, essa invisibilidade nada tem de absoluta.

57. Voltemos à natureza do perispírito, pois que isto é essencial para a explicação que temos de dar. Dissemos que, embora fluídico, o perispírito não deixa de ser uma espécie de matéria, o que decorre do fato das aparições tangíveis, a que volveremos. Sob a influência de certos médiuns, tem-se visto aparecerem mãos com todas as propriedades de mãos vivas, que, como estas, denotam calor, podem ser palpadas, oferecem a resistência de um corpo sólido, agarram os circunstantes e, de súbito, se dissipam, quais sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade, executando certos movimentos, tocando até melodias num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. A tangibilidade que revelam, a temperatura, a impressão, em suma, que causam aos sentidos, porquanto se há verificado que deixam marcas na pele, que dão pancadas dolorosas, que acariciam delicadamente, provam que são de uma matéria qualquer. Seus desaparecimentos repentinos provam, além disso, que essa matéria é eminentemente sutil e se comporta como certas substâncias que podem alternativamente passar do estado sólido ao estado fluídico e vice-versa.

58. A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo. Apenas pelos seus atos ele se nos revela e seus atos não nos podem impressionar os sentidos, a não ser por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito, como o homem tem o corpo. Ora, o perispírito é matéria, conforme acabamos de ver. Depois, serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal, espécie de veículo sobre que ele atua, como nós atuamos sobre o ar, para obter determinados efeitos, por meio da dilatação, da compressão, da propulsão, ou das vibrações.

Considerada deste modo, facilmente se concebe a ação do Espírito sobre a matéria. Compreende-se, desde então, que todos os efeitos que daí resultam cabem na ordem dos fatos naturais e nada têm de maravilhosos. Só pareceram sobrenaturais, porque se lhes não conhecia a causa. Conhecida esta, desaparece o maravilhoso e essa causa se inclui toda nas propriedades semimateriais do perispírito. E uma ordem nova de fatos que uma nova lei vem explicar e dos quais, dentro de algum tempo, ninguém mais se admirará como ninguém se admira hoje de se corresponder com outra pessoa, a grande distância, em alguns minutos, por meio da eletricidade.

59. Perguntar-se-á, talvez, como pode o Espírito, com o auxilio de matéria tão sutil, atuar sobre corpos pesados e compactos, suspender mesas, etc. Semelhante objeção certo que não será formulada por um homem de ciência, visto que, sem falar das propriedades desconhecidas que esse novo agente pode possuir, não temos exemplos análogos sob as vistas? Não é nos gases mais rarefeitos, nos fluidos imponderáveis que a indústria encontra os seus mais possantes motores? Quando vemos o ar abater edifícios, o vapor deslocar enormes massas, a pólvora gaseificada levantar rochedos, a eletricidade lascar árvores e fender paredes, que dificuldades acharemos em admitir que o Espírito, com o auxilio do seu perispírito, possa levantar uma mesa, sobretudo sabendo que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?

Fonte: Livro do Médiuns
Capítulo I

“A importância da Caridade”

Os ensinamentos que Jesus nos veio trazer, sobre o valor que devemos dar ao nosso próximo e à vida, dizem respeito ao cultivo e desenvolvimento da moral e da decência nas relações entre as pessoas, sem excetuar quem quer que seja, visto que somos todos iguais perante o Criador.

O Mestre traduziu em duas simples palavras, todo o seu código de ética a caminho do desenvolvimento da moral em termo mais amplo, ensinando que tudo poderia ser resumido em “Caridade e Humildade”, isto é, nas duas maiores virtudes que os homens devem concentrar todos os esforços na conquista desses dois tesouros preciosos do Espírito.

É que, só com o desenvolvimento em nosso Ser espiritual dos verdadeiros talentos com que a Divindade nos equipou, conseguiremos se para tanto nos esforçarmos erradicar de nosso espírito o egoísmo que até hoje nos mantém presos às teias da ignorância. Em tudo que ensinou, Jesus chamou-nos a atenção, para a valorização dessas duas virtudes como sendo as que poderão nos conduzir de encontro à eterna e verdadeira felicidade.

Falou-nos ele: “Bem-aventurados os pobres de espírito, isto é os simples, os humildes, porque deles é o reino dos céus; e continuou a nos ensinar; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros, o que gostaria que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros; não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”.

Em todas estas passagens de seus ditos pode-se extrair o ensinamento maior de Jesus, a caridade e humildade, eis o que não cessa de recomendar e exemplificar em todas as suas ações. Em tudo que pregou em sua passagem pelo nosso planeta, teve por finalidade maior combater o orgulho e o egoísmo que são sem dúvida as duas grandes chagas a corroer a humanidade.

O Mestre Maior de todos nós não se limitou apenas a recomendar a caridade, põe-na como condição absoluta para a conquista da felicidade futura, assegurando-nos que as ações empreendidas pelos caridosos com certeza lhes assegurarão uma melhor posição no futuro quando a justiça divina os chamar para a prestação de contas, como nos afirmou também em outra oportunidade que, “a cada um será dado segundo as suas obras”.

Na Parábola do Bom Samaritano, considerado herético, mas que naquele momento pratica o amor ao próximo, Jesus coloca-o acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas designa como condição única. Se outras houvesse que a substituíssem, ele as teria ensinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa a negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que a pratica.

O Apóstolo Paulo, entendendo o verdadeiro sentido da caridade nos deixou sua mensagem sobre o valor dessa sublime virtude que todos precisamos desenvolver, conforme segue:

Necessidade da caridade, segundo S. Paulo

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; - ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.) ¹

O Espiritismo sendo o Cristianismo Redivivo, ou seja, o cristianismo na sua pureza inicial, vem reafirmar os ensinos do seu criador com a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, ² máxima essa que consagra o princípio da igualdade perante Deus, e da liberdade de consciência, deixando a todos a escolha da maneira como queiram seguir adorando o Pai Celestial, não pregando que fora do espiritismo não há salvação, pois, bem sabe que o Cristo não fundou nenhuma religião, por isso mesmo respeita a liberdade de crença de todos os seus irmãos em humanidade, pois em qualquer corrente religiosa a que pertença o homem, terá aí mesmo a oportunidade de seguir os ensinamentos de Jesus.

Dediquemo-nos, portanto, meus irmãos à prática da caridade ensinada no evangelho de Jesus, pois ela nos ajudará não só a evitar a prática do mal, mas também nos impulsionará em direção ao trabalho no bem, e para a prática do bem uma só condição se faz indispensável: a nossa vontade, pois para a prática do mal basta apenas a inércia e a despreocupação agradeçamos, pois, a Deus nosso Pai, por nos permitir encontrar em nossa estrada evolutiva a bênção de gozar da luz do Espiritismo.

Bibliografia
1) 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.)
2) Kardec Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB – 112ª edição - Cap. XV, item 10.